O KOBUDO

É HOJE O GRANDE DIFERENCIAL DO KARATE ESTILO SHORIN-RYU.  NÓS TEMOS O KOBUDO O MESMO  QUE É PRATICADO EM OKINAWA E  PARTICIPAMOS ATRAVÉS DA IUSF(INTERNATIONAL UNION SHORIN – RYU KARATE DO FEDERATION) DO CAMPEONATO MUNDIAL DE KOBUDO REALIZADO EM OKINAWA, UM EVENTO EM QUE PARTICIPAM TODOS OS PAÍSES PRATICANTES DOS ESTILOS PRATICADOS NA ILHA DE OKINAWA, O GRANDE BERÇO DO KARATE.

HISTORIA DO KARATE SHORIN-RYU

MESTRE PECHIN TAKAHARA(1683-1760)

Pechin Takahara,  nasceu na vila de Akata Cho em Shuri do sul da Ilha de Okinawa no ano de 1683. Era da classe superior na sociedade feudal de Okinawa. Supõe-se então que fosse bem educado e que tenha feito viagens. Foi conhecido como um astrônomo e um fabricante de mapa. Seus mapas de Okinawa e das Ilhas de Ryukyu foram usados em 1797 em plantas do Japão para impedir invasões dos europeus mais freqüentes na região. Ryukyu foi considerado como as primeiras linhas de defesa do sul.

Um de estudantes superiores de Takahara era Sakugawa, conhecido mais tarde como Tode Sakugawa e seu sucessor conforme desejo final no seu leito de morte.

Pechin Takahara, era um praticante completo. Sua filosofia foi passada aos sucessores, como Sakugawa, Matsumura, Itosu, Funakoshi e muitos outros… o mestre acreditava que, o “karatê  é uma maneira de vida, a maneira de compreender e a forma de preservar o karatê  era através do kata, e com a luta real do kata as técnicas podem ser ensinadas.”
Esta é a essência do legado de Pechin Takahara. Afastou-se em 1762 pois sabia que Sakugawa cumpriria suas visões e ajustaria o curso para o futuro de todo o karatê.

Entre suas realizações, recebeu o título de “Pechin” (dirigido) pelos distintos serviços prestados.

Foi uma figura importante na evolução do Karatê-Dô. Foi o primeiro mestre a explicar o sentido da palavra “Dô”, e como ela é aplicada ao Karatê. Ele cita três aspectos do “Do”, a saber: igo, o caminho ou o aspecto espiritual; ho, aplicação de defesa pessoal; e katsu, prática e entendimento das técnicas físicas.

MESTRE TODE SAKUGAWA(1762~1843)

MESTRE TODE SAKUGAWA (1762-1843): teve como seu discípulo, Mestre Sokon Matsumura. Estudou com Takahara e Kusanku, combinou as técnicas desses dois instrutores para formar uma mistura do chuan fa e tode, chamada karate-do (caminho das mãos chinesas). Esse nome foi evoluído, passando a ser caminho das mãos vazias.

MESTRE SOKON MATSUMURA
(1796-1893 ou 1809 – 1896)

MESTRE SOKON MATSUMURA: falecido em 1.883: foi professor de Karate dos Reis de Okinawa, Sho Ko e Sho Tai, sendo secretário de ambos. Teve como alunos os Mestres Itossu, Yoshimine, Tawata, Kiyuna, Kuwas e outros.

Nasceu em 1796 (1809 segundo outras fontes) no seio de uma família nobre de Ryu Kyu; note-se que a data do seu falecimento também é apontada como 1890 ou 1901 consoante as fontes). Aos 20 anos é nomeado “guarda do príncipe” no Castelo de Shuri.

Em 1832 inicia-se na arte da esgrima do clã Satsuma (escola Jigen Ryu).

Em 1836 parte para Pequim, na China, onde permanece 15 meses aprendendo xingyi-quan – arte de combate do Norte da China – com um mestre denominado Wei Bo. Conhecido como “Bushi” – o guerreiro – e considerado o maior artista marcial de Okinawa, na sua época.

É possível que um dos seus mestres tenha sido Peichin Kanga Sakugawa (1782-1837) considerado o introdutor do To-de (Okinawa-Te).

Atendendo à região de origem de Matsumura a sua arte era conhecida como Shuri-te, embora os camponeses da cidade de Tomari desenvolvessem uma linha paralela denominada Tomari-te.

Matsumura é considerado o fundador do Shorin Ryu (estilo de Shaolin”) e o introdutor das três Kata Naihanchi e dos Kata Seisan e Ananku. Os seus alunos mais famosos foram Yasutsune Itosu e Yasutsune Azato, mas foi também professor de Gichin Funakoshi , Kentsu Yabu, Chomo Hanashiro e Chotoku Kyan.
MESTRE ANKO ITOSU(1832~1916)

 

MESTRE YASUTSUNE “ANKOH” ITOSU (ANKO ITOSU) – Foi também professor de Karatê do Rei de Okinawa, Sho Tai, sendo secretário do Rei.

Inicialmente dava aulas em sua própria casa. Em 1904, com a inclusão do Karatê no currículo oficial das escolas, Mestre Itossu passou a dar aulas no Colégio Estadual de Okinawa e na Escola Normal Estadual de Okinawa, sendo o primeiro professor desta Arte Marcial nos estabelecimentos de ensino. Teve como alunos os Mestres Choshin Chibana, Kentsu Yabu, Hanashiro, Anbun Tokuda, Mabuni (fundador do estilo Shito-Ryu Karate-Do), Gussukuma, Yamakawa e outros.

Considerado como um dos precursores do Karatê moderno, seus alunos se tornaram fundadores de grande parte dos estilos atuais de Karatê. Mestre Itossu além de Karatedoka também era um homem de grande cultura, nascido em uma classe nobre de Okinawa. Naquela época as lutas e desafios eram muito comuns e existem várias histórias a respeito de mestre Itossu e seu forte agarre, que podia esmagar um pedaço grosso de bambu simplesmente apertando com uma das mãos.

Abaixo está uma tradução livre de uma carta endereçada à um de seus alunos:

………O Tode não foi desenvolvido a partir do Budismo nem a partir do Confucionismo, num passado recente Shorin Ryu e Shorei Ryu foram trazidos da China. Ambos tem os mesmos pontos fortes, mas, depois eles sofreram muitas alterações, que eu gostaria de esclarecer.
O Tode foi criado fundamentalmente para o benefício da saúde, para proteger seus amigos e familiares ou o seu mestre. É apropriado para atacar o inimigo sem importar-se com sua própria vida. Nunca ataque um único adversário, se você encontrar um bandido ou um desordeiro, procure não usar o Tode, mas simplesmente defender e esquivar-se.
A proposta do Tode é de tornar o corpo forte como pedra e metal, mãos e pés devem ser usados como pontas de flechas , os corações devem ser fortes e corajosos. Se as crianças praticassem o Tode desde o primário, estariam preparadas para o serviço militar. Como disse Napoleão quando conversava com Wellington “A vitória de amanhã depende do jardim de infância de hoje.”
O Tode não pode ser aprendido rapidamente. Como um Búfalo que se move lentamente e que eventualmente corre em grande velocidade, se alguém estudar séria e diariamente o Tode, em 3 ou 4 anos entenderá do que se trata o Tode. A forma de alguns ossos irão mudar. Aqueles que estudarem o seguinte descobrirão a essência do Tode:

1. No Tode as mãos são muito importantes, por isso devem ser treinadas constantemente no makiwara. Abaixe seus ombros, abra seus pulmões, concentre sua força, segure o chão com seus pés e use a energia proveniente do Hara. Treine cada braço 100 ou 200 vezes.

2. Enquanto estiver treinando as posturas do Tode, certifique-se de que suas costas estejam eretas, os ombros baixos, sua força concentrada e mantida nas pernas; posicione-se firmemente e utilize o Ki do seu Hara de modo que a parte de cima e a de baixo sejam mantidas unidas firmemente.

3. As técnicas externas do Tode devem ser treinadas uma por uma diversas vezes. Por serem transmitidas oralmente, preocupe-se em aprender com as explicações e em decidir quando e em que situação elas devem ser usadas. Vá em frente, conteste, dispense o que for inútil, está é a regra do Tode.

4. Você precisa decidir se o Tode é para cultivar a sua saúde ou se é para defender-se.

5. Enquanto estiver treinando procure imaginar que está no campo de batalha, quando estiver atacando e defendendo, mantenha o olhar firme e agressivo, seus ombros baixos e seu corpo rígido. Defenda o soco do inimigo e golpeie! Se você treinar com esse espírito, quando estiver em batalha estará naturalmente preparado.

6. Nunca se exceda durante a prática porque seu Ki aumentará, seu rosto e olhos ficarão vermelhos e seu corpo será prejudicado. Tome cuidado.

7. Antigamente, muitos daqueles que dominaram o Tode viveram por muitos anos, isso acontece porque o Tode ajuda no desenvolvimento de ossos e músculos, no sistema digestivo e na circulação do sangue. Por isso o Tode poderia ser utilizado como base na educação física a partir do primário, se isso for posto em prática, acredito que haverão muitos homens capazes de derrotar dez agressores. Essa é a razão para institucionalizar isso ,porque em minha opinião todos os estudantes da Escola de Treinamento de Professores da Prefeitura de Okinawa deveriam praticar o Tode, e quando eles se graduarem aqui, poderão ensinar as crianças como eu os ensinei. Em 10 anos o Tode poderia se espalhar por toda Okinawa e para o Japão. Isso seria de grande ajuda para nossa sociedade militarista. Espero que você estude cuidadosamente o que escrevi aqui. Anko Itosu, Meiji 41, Ano do Macaco
MESTRE CHOCHIN CHIBANA

(June 5th, 1885 – February 26th,1969)

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CHOSHIN CHIBANA (texto retirado do site: http://www.askadoi.com.br/karate.html ): O Grão Mestre Choshin Chibana, criador do Okinawa Shorin-Ryu Karate-Do, nasceu em 5 de junho de 1885, em Tottori-cho da Cidade de Shuri em Okinawa. Ele começou a treinar aos 13 anos com Yasutsune “Anko” Itosu em 1898, quando estava no final do curso do Okinawa Kenritsu Dai-Ichi Chu-gakko (escola secundária).

Estudou com Mestre Itosu até este falecer com a idade de 85 anos em 26 de janeiro de 1915. Cinco anos após a morte do Mestre, ele começou a ensinar. Começou a lecionar em Tottori-bori e como a sua boa reputação se espalhou ele abriu um segundo Dojo em Kumo-cho, Naha. Mas em 1929 muda-se para o Paço do Barão Nakijin na vila de Gibo (Shuri), chamando o Dojo de Tode Kenkyu Sho (Clube de Pesquisas do To-de). Em 1935 adota o nome Shorin-Ryu, que tem os mesmos caracteres chineses para ¨ Pequeno Bosque ¨ (Shaolin), e sendo também a mesma pronuncia para a palavra Kobayashi.

Mestre Chibana permaneceu em Okinawa, durante a Segunda Guerra Mundial e quando Shuri foi destruída pelos americanos em 1945, milagrosamente escapou da morte, ficando até 1948 na Península Chinen e retornando para Giho-cho (Shuri) para reabrir sua academia.

Depois da guerra, fica até 1948 na Península Chinen e parte para reiniciar suas aulas do Shorin-Ryu em Giho-cho que é uma parte de Cidade de Shuri. Inicia um itinerário em Naha abrindo academias em Asato, Jiku, Sakayamachi, Mihara e depois em Yamagawa em Shuri. Durante o mês de fevereiro de 1954 até dezembro de 1958, ele era também o Instrutor Chefe de Karate-Do do Departamento de Policia da Cidade de Shuri . Em 5 de maio de 1956, a Federação Okinawa de Karate foi formada e ele foi designado seu primeiro presidente, cargo que ocupou por dois anos. Funda e torna-se presidente da Associação Okinawa Shorin-Ryu Karate-Do.

A reputação de Mestre Chibana como um mestre de Karatê continuou aumentando, não só em Okinawa mas também em todo o Japão. Em 1957 ele recebe o título de Hanshi (Grão – Mestre : 10º Dan) do Dai Nippon Butokukai (A Maior Associação de Arte Marcial do Japão) e em 1960, ele recebeu o Primeiro Prêmio de Distintos Serviços ao Esporte do Okinawa Taimussu Shinbum, por todas as suas realizações no estudo e prática do Tradicional Karatê-Do de Okinawa.

Em 29 de abril de 1968, Mestre Chibana trouxe uma honra adicional para o Karatê-Do de Okinawa, sendo premiado com a 4ª Ordem do Tesouro.

Sagrado (Kunyonto) pelo Imperador Hirohito do Japão.

Em 1964, foi constatado que o Mestre Chibana tinha um câncer terminal da garganta. Mas devido a sua dedicação para com a arte do Okinawa Shorin-Ryu, ele continuou ensinando, embora o seu corpo começasse a debilitar com a expansão do câncer.

Em 1966 ele foi admitido no Centro de Pesquisa de Câncer de Tóquio para tratamento com radiação em uma tentativa para deter a expansão da doença. Depois de alguma melhoria, Mestre Chibana retomou o ensino do Okinawa Shorin-Ryu com o seu neto Akira Nakazato.

Mestre Chibana teve mais de 5000 alunos e entre eles o Mestre Katsuya Miyahira que foi seu auxiliar e Mestre Yoshihide Shinzato (10º Dan), este considerado o mais importante Mestre fora de Okinawa, fundador da União Shorin-Ryu Karate-Do do Brasil e da International Union Shorin-Ryu Karate-Do Federation, entidade que é formada pelas mais importantes federações do estilo Shorin-Ryu do mundo todo. Afirmava sempre que o karatê deveria ser praticado como uma arte marcial e não como um esporte, uma ginástica. Dizia:

¨Eu penso que nós temos que evitar tratar o Karatê como um esporte, deve sempre ser uma arte marcial ¨.

Essa filosofia manteve a verdade e a pureza do Karatê de Okinawa.

No final do ano de 1968 a condição do Mestre Chibana piorou e ele retornou ao Hospital de Ohama. Apesar dos esforços dos médicos falece às 6 horas e 40 minutos da manhã de 26 de fevereiro de 1969, com a idade de 83 anos

MESTRE KATSUYA MIYAHIRA
(16/08/1918 – 28/11/2010)

MESTRE KATSUYA MIYAHIRA

Katsuya Miyahira: El maestro Katsuya Miyahira nació el 16 de Agosto de 1918 en Nishihara, Okinawa, Japón.

Su padre, coronel del ejército, le enseñó las bases del Karate-Do.

En 1933, cuando tenía 15 años de edad, comienza a entrenar con Ambun Tokuda y Chosin Chibana, ambos discípulos de Anko Itosu. Cuando cumple los 18 años, prosigue solo con Chosin Chibana. Miyahira también entrenaría con Choki Motobu.

Durante la Segunda Guerra Mundial, Katsuya Miyahira, fue voluntario en Manchuria lo que le permitió conectarse con maestros del Kempo chino.

Terminada la guerra, regresa a Okinawa y ocupa diversos cargos dirigentes de su pueblo.

En 1949 abre su Dojo en su pueblo natal, Nishihara.

En 1953, abre otro Dojo en el barrio de Aza Goeku y, en ese mismo año, comienza a enseñar en la Universidad de Ryu Kyu.

En el año 1956, comienza a enseñar en su propio Dojo (y actual domicilio particular), en Tsuboya-Cho.

En 1958, la Federación del Arte Marcial del Japón, le otorga el título de Gran Maestro al Mérito en Artes Marciales y lo designa como Miembro Permanente del Jurado.

En 1962, obtiene el 8vo. Dan.

En 1967, obtiene el 9no. Dan, con el grado de Hanshi.

En 1969, fue nombrado Miembro Permanente de la Asociación de Okinawa Shorin Ryu.

En su escuela introdujo los ejercicios analíticos (bunkai) de los diferentes kata.

En la actualidad en Maestro Miyahira es uno de los responsables en la Comisión por la que el Gobierno de Okinawa construye la Casa Mayor de las Artes Marciales denominada Budokan.

Entre sus alumnos se encuentran Shoei Miyazato, Seikichi Iha, Hiroyuki Shinkai, Seigi Shiroma, Seiken Tamanaka, Meiyu Takara, Morinobu Maeshiro, Kasei Shimabuku, Seiko Goya, Makoto Tanizoe, Yoshio Okama, Noboru Teruya, Seiichi Shiroma.
Tese de Graduação
Submetida à Banca Examinadora da FKERJ para a Obtenção do 4o. Dan
Antonio Carlos Ramos Troyman
Membro da União Shorin-Ryu Karate-Do do Brasil
Janeiro de 1996

AGRADECIMENTOS

Ao Sensei Yoshihide Shinzato por sua imensa sabedoria no ensino desta arte maravilhosa que tem me incentivado desde o início do meu aprendizado ao longo destes 26 anos e por ter escolhido o meu país para se estabelecer, tornando o Brasil um dos expoentes mundiais nesta arte marcial que considero uma das mais completas expressões do gênero humano em muitos séculos de existência. Ao Prof. Luiz Rodolfo de Aragão Ortiz que tem praticado junto comigo desde o início e com quem tive o imenso prazer de acompanhar o desenvolvimento e a ascensão do nosso estilo no estado do Rio de Janeiro, graças a quem a divulgação criteriosa e o ensino correto e bem calcado em profundos conceitos filosóficos têm feito do Shorin-Ryu um estilo respeitado e bem posicionado no panorama desta modalidade no nosso estado. Ao grande amigo Gilberto Israel pelo enorme incentivo nos treinamentos ao longo destes anos, com quem sempre pude contar desde que veio para o Rio de Janeiro, participando junto comigo desta tarefa grandiosa que é praticar o Karate-Do, em especial o estilo Shorin-Ryu, contribuindo para a elevação deste esporte que já se tornou uma verdadeira religião para todos nós. Aos membros da Diretoria da Federação de Karate do Estado do Rio de Janeiro que, de uma forma ou de outra, têm contribuído para a formação e o desenvolvimento deste esporte, não apenas a nível estadual, mas a nível nacional e internacional, através de uma gestão consciente e responsável em prol da elevação do nível dos atletas e da qualidade do Karate-Do praticado no Rio de Janeiro e no Brasil.

A História de Okinawa

A ilha de Okinawa, a principal do arquipélago conhecido como Ilhas Ryukyu, é hoje parte integrante do Japão moderno. Com uma área de aproximadamente 1.256 km2 , Okinawa tem um comprimento de cerca de 108 km e uma largura que varia de 5 a 24 km. O clima é sub-tropical e sofre a influência da corrente Kuroshio que corre na direção norte desde as Filipinas, trazendo frequentes tufões, geralmente durante os meses de março a setembro. A região norte da ilha é coberta de florestas e pouco povoada, ao contrário da região sul, bastante povoada e tendo experimentado recentemente um grande avanço econômico, onde existem diversas cidades, sendo a principal delas a capital Naha City que engloba hoje os povoados da antiga Naha, Shuri e Tomari, berços do Karate-Do.

Historicamente, no início do século XIV, a ilha de Okinawa, que foi governada por diversos senhores feudais (anji), foi dividida nos três estados de Hokuzan (norte), Chuzan (centro) e Nanzan (sul). Os Três Reinos, como eram conhecidos, foram unificados em 1429 por um líder chamado Sho Hashi que fixou sua capital em Shuri. Algum tempo depois, outro governante, ShoShin (que reinou de 1477 a 1526) aboliu o feudalismo, formou um estado Confucionista, mudou os anji para Shuri e baniu o uso de espadas, tornando ilegal a posse de armas em grande quantidade. O Reino de Ryukyu, como o país ficou conhecido, expandiu-se e prosperou através do comércio com a China (principalmente através de Fuchou na Província de Fukien), com o Sudeste Asiático, com a Coréia e o Japão até 1609, quando foi invadido pelo clã Satsuma de Kagoshima, no sul de Kyushu. A partir de então, embora ainda uma nação comercialmente independente, com estreitas ligações com a China, as ilhas Ryukyu ficaram economicamente dominadas pelo clã Satsuma (ligado ao shogun Tokugawa), diminuindo gradualmente, assim, a sua riqueza.

Satsuma reforçou o banimento das armas imposto pelo rei Sho Shin, proibindo de vez, em 1699, a importação de armas de metal. Em 1724, devido à grande expansão das classes mais abastadas (shizoku) em Shuri, a estes foram permitidos comercializar, fabricar produtos manufaturados e tornar-se fazendeiros pioneiros nos campos ainda não explorados das ilhas. Com isso, muitos destes shizoku emigraram, levando consigo sua cultura. Os demais habitantes permaneceram em um estado de quase escravidão, até o tempo em que o arquipélago foi anexado pelo governo pró-Restauração do Japão em 1879 e o rei Sho Tai foi exilado em Tokyo. A nova dinastia Meiji fez da ilha de Okinawa parte integrante da Prefeitura de Okinawa, tentando japanizar os velhos costumes okinawanos, considerados, até então, estrangeiros. Esta tendência continuou durante as eras Taisho e Showa, à medida que o Japão se tornava cada vez mais militar, terminando apenas com a derrota do Japão no final da 2a. Guerra Mundial.

A ocupação americana das ilhas Ryukyu, que promoveu de certa forma uma revolução social e econômica, começou com a invasão da Batalha de Okinawa pelas forças armadas dos Estados Unidos em 1o. de abril de 1945, e terminou em 15 de maio de 1972 quando o controle político foi devolvido ao Japão, calcado num movimento de esperança por uma nova era de paz e prosperidade.

O Karate em Okinawa

O primeiro advento do karate, ou tode como era então conhecido, é geralmente aceito como tendo ocorrido no final do século XVIII ou no início do século XIX quando um chinês chamado Kusanku (Ku Shanku ou Koso Kun) demonstrou técnicas de boxe chinês a uma audiência maravilhada em Okinawa. To-de (também To-te ou Tuti, significando literalmente mão chinesa) pode ser entendido como ‘Boxe Chinês’, embora várias centenas de anos antes fosse antecedido por uma arte marcial conhecida apenas como ti (posteriormente japanizado por te, que significa mão), a qual ainda existe e tem influenciado as técnicas e formas de luta de alguns dos estilos mais modernos do karate. A existência do ti pode ser comprovada desde o século XVII através de um poema escrito por um eminente professor okinawano nascido em 1663 chamado Teijunsoku (também conhecido como Nago Oyakata) e que diz: Não importa o quanto se esmere na arte do ti,
e nos seus esforços escolásticos, nada é mais importante que o seu comportamento e sua humanidade conforme observado no cotidiano da vida.

 A história registra ainda a existência de um notável karateka chamado Sakugawa, que viveu em Shuri a cerca de 200 anos atrás e aprendeu o To-te na China e que era comumente conhecido como To-te Sakugawa, evidenciando que ele era um mestre do Boxe Chinês. Este prefixo no seu nome prova que, entre os habitantes das ilhas Ryukyu já existia uma arte marcial única, distinta do To-te, caso contrário ele seria conhecido por Te Sakugawa ao invés de To-te Sakugawa. De uma maneira geral, a introdução do To-de (karate) em Okinawa foi efetuada tanto por okinawanos que foram estudar o Boxe Chinês na China, como por chineses (tais como Kusanku) que vieram ensinar na ilha. Tode começou a ser chamado karate na primeira metade do século XX e, embora a sua introdução tenha sido uma contínua evolução, muito do karate que é ensinado hoje em dia, ao contrário da crença popular, está baseado no Boxe Chinês (principalmente da área de Fuchou) e que foi trazido a Okinawa entre 1850 e 1950, alcançando o seu pico de introdução no final do século XIX.

É necessário apontar aqui que, antes de 1879, as artes marciais em Okinawa eram reservadas apenas às famílias mais nobres, e, mesmo após esta data, poucas pessoas menos favorecidas (fosse de dinheiro, fosse de tradição) tinham capacidade ou ânimo para praticá-las. É difícil encontrar evidências de que okinawanos tenham desenvolvido técnicas de luta devido à proibição do uso de armas pelos governantes do clã Satsuma. Ao contrário, as evidências demonstram que, após 1609, o ti era praticado como defesa pessoal e como meio de desenvolvimento físico pelos membros da nobreza. To-de seguiu um caminho semelhante, desenvolvendo-se no final do século XIX e início do século XX no meio das classes shizoku e seus descendentes, principalmente aqueles que viviam em Naha, Tomari e Shuri. Por esta razão é que surgiram os termos Naha-te, Tomari-te e Shuri-te, os quais se referiam às modalidades praticadas nestas vilas, tornando-se na verdade o próprio karate. Embora o karate hoje em dia seja traduzido (ao pé da letra) como mãos vazias, muitos dos estilos modernos praticados em Okinawa incluem em seus currículos a prática com armas (conhecida como Kobujutsu ou Kobudo).

Como o karate moderno não poder ser classificado segundo essas três categorias (Naha-te, Tomari-te e Shuri-te), seria interessante adotar-se com mais propriedade os termos em acordo com os diversos estilos ou ryu, pelo simples fato desta arte marcial nunca ter sido unificada, a exemplo do que ocorreu com as várias escolas de Jiu-jutsu no Japão, dando origem ao Judo, apesar dos esforços do mestre Gichin Funakoshi, um dos pioneiros a levar o karate para o Japão. Muitos destes estilos receberam nomes após a confusão social que se instalou ao fim da 2a. Guerra Mundial, quando alguns okinawanos perceberam o valor comercial do karate e abriram uma enxurrada de academias. Durante o período da Guerra do Vietnam, Okinawa tornou-se uma importante base militar de suprimentos e o karate tornou-se bastante popular entre os homens de serviço, alguns dos quais levaram a modalidade para os Estados Unidos e outros lugares. Mais tarde, a popularidade do karate de Okinawa cresceu em todo o mundo à medida que os próprios okinawanos passaram a emigrar para o exterior em busca de melhores oportunidades, aproveitando para ensinar esta fascinante e eficiente arte marcial.

De acordo com Mark Bishop [1], os estilos podem ser divididos em três grandes grupos: aqueles baseados completamente no Boxe Chinês, tais como o Goju-ryu, originalmente chamado Shorei-ryu e localmente conhecido como Naha-te; aqueles identificados como Shorin-ryu, considerados como uma mistura do Tomari-te com o Shuri-te, com alguma influência do Goju-ryu; e aqueles onde há a predominância do kobudo ou das antigas modalidades de ti, onde algumas escolas costumam ensinar técnicas de mãos vazias como complemento às técnicas e formas (katas) com as diversas armas usadas nos treinamentos.

Os Estilos Antigos

Conforme já foi apontado, as escolas que surgiram nas vilas de Naha, Tomari e Shuri tinham uma origem comum: o templo Shaolin de Fuchou na Província de Fukien, na China, e os mestres chineses que visitaram Okinawa, ensinando sua arte, a qual foi devidamente mesclada com as técnicas de luta existentes na ilha.

Essas técnicas nativas, segundo Shoshin Nagamine [2], tinham grande predominância do uso dos punhos (seiken), levando alguns dos antigos mestres a fazer adaptações das técnicas de mão aberta, predominantes nos sistemas de luta chineses, de forma a manter as tradições da ilha, produzindo o sentimento comum de um maior apego às origens locais. Este processo foi o principal fator da formação das características do karate moderno. O aprendizado do To-te ou To-de, como era conhecido durante esse período de formação, através da prática dos diversos katas, levaram à segregação de formas quase que estanques entre si. Daí o surgimento das duas grandes escolas: o Shorin-ryu (ou Shuri-te) e o Shorei-ryu (ou Naha-te). O Shorin-ryu desenvolveu-se principalmente nas vilas de Shuri e Tomari e o Shorei-ryu nas vizinhanças de Naha. Muitas das características que diferenciam estas duas escolas têm sido classificadas de pontos de vista geográficos ou de aptidões físicas de seus praticantes. Gichin Funakoshi [3] costumava dizer que o Shorin-ryu possuia movimentos rápidos e leves e, por isso era indicado mais para pessoas magras e de baixa estatura, cujo objetivo era a ação rápida, enquanto que o Shorei-ryu era recomendado a pessoas fortes e grandes. Há quem diga que estas características se formaram porque a região de Shuri era mais montanhosa, favorecendo um maior desenvolvimento das pernas e, consequentemente, maior velocidade dos praticantes, ao passo que nas vizinhanças de Naha, onde predominavam as plantações de arroz, os praticantes costumavam praticar com água pela cintura, favorecendo um maior desenvolvimento das forças toráxicas e dando origem a movimentos mais lentos e mais concentrados. 

Shoshin Nagamine discorda um pouco dessas definições, dizendo que diferenças na estatura ou da personalidade do praticante não têm importância nehuma para o karate, preferindo afirmar que a essência do karate reside mais no processo pelo qual o indivíduo se esforça mais para adquirir potência sem limites através do emprego de uma verdadeira sabedoria. Fora os pontos de vista românticos e filosóficos, estes dois grandes estilos estão, na verdade ligados a um objetivo comum que remonta à velha necessidade de auto preservação da própria espécie humana. Pode-se dizer que as diferenças entre essas escolas estão nos movimentos básicos e nos métodos respiratórios empregados. Por exemplo, no Shorin-ryu os movimentos dos pés seguem uma linha reta quando um passo é executado, seja para frente ou para trás. A velocidade e a força dos golpes devem estar bem sicronizados nos movimentos de ataque e defesa, com a respiração controlada naturalmente. As bases são as mais naturais possíveis de forma a não exigir esforços adicionais que venham a desperdiçar a energia desnecessariamente. 

No Shorei-ryu os movimentos são caracterizados por bases mais baixas e trajetórias circulares dos pés nos passos para frente e para trás, com respiração artificial forçada de acordo com os movimentos dos braços nos ataques e defesas. Esta escola incorpora de forma mais veemente as característica do Boxe Chinês, tendo sofrido muito pouca influência do ti. Pode-se ainda afirmar que tanto uma como outra escola se influenciaram mutuamente, assim, por exemplo, o Shorei-ryu tem influência do Shorin-ryu e vice-versa, tendo em vista que alguns dos mestres que fundaram suas associações costumavam intercambiar conhecimentos, introduzindo técnicas baseadas nas observações que faziam das modalidades vizinhas (e não poderia ser de outra forma, já que as diversas vilas ficavam muito próximas uma das outras – cerca de 5 a 10 km de distância).

Do Shorei-ryu derivaram os estilos Goju-ryu (com suas ramificações, após ser levado para fora de Okinawa) e Uechi-ryu. Do Shorin-ryu surgiram várias linhas que pouco diferem entre si, a não ser na forma em que incorporaram os diversos katas aprendidos na China ou trazidos pelos estrangeiros à ilha. Nos dias de hoje existem diversas associações que foram fundadas numa combinação dessas duas escolas básicas, como é o caso do Shito-ryu e do próprio Shotokan do mestre Funakoshi. Apesar de tudo, um estilo tem muito das personalidades de seus mestres fundadores, principalmente pela característica de ser uma arte transmitida de pai para filho, dentro da antiga tradição das famílias Shizoku predominante na sociedade okinawana. Hoje em dia esses círculos deixaram de ser familiares, tornando-se mais abrangentes em vista da maior abertura promovida pelo desenvolvimento econômico, onde as academias passaram a aceitar alunos de outras famílias e locais (mesmo de outros países), sendo a tradição muitas vezes passada ao aluno mais antigo e mais proeminente. Estes tornam-se os novos patriarcas do estilo e a eles é, inclusive, permitida a incorporação de novas técnicas (através de novos katas) que, baseados na sua observação ao longo dos anos de prática, passam a fazer parte da cultura da escola, a qual é transmitida a todas as suas ramificações pelo mundo afora. Como diz o próprio Mestre Shoshin Nagamine, baseado em uma velha canção popular de Okinawa, “Não importa o caminho que se toma para subir a montanha, quando se atinge o topo pode-se apreciar o luar da mesma maneira.”. O objetivo não muda entre os vários estilos, no fundo de suas filosofias eles compartilham o mesmo significado.

Os Estilos Shorin

Conforme apontado anteriormente, o estilo Shorin-ryu, ou melhor dizendo, os estilos do grupo Shorin surgiram dos chamados Shuri-te e Tomari-te, os quais se desenvolveram nas vilas de Shuri e Tomari, respectivamente. Os estilos tiveram praticamente origem em um homem. Pode-se dizer que Sokon Matsumura está para o Shorin-ryu assim como Kanryo Higaonna está para o Shorei-ryu (Goju-ryu). A maioria dos mestres da escola Shorin que deram origem às várias linhas foram alunos de Sokon Matsumura. Dois deles foram os mais proeminentes e a partir deles surgiram os dois grandes ramos do Shorin-ryu: Anko Itosu (1832 – 1916) e Chotoku Kyan (1870 – 1945). Do primeiro surgiram a linha Kobayashi e os estilos Kushin-ryu, Shito-ryu (este com influências de outros mestres do Goju-ryu), Tozan-ryu e Shotokan. Do segundo surgiram as linhas Matsubayashi, Chubu e Ryukyu e os estilos Shorinji-ryu e Isshin-ryu. De uma forma ou de outra, o surgimento destes diversos estilos está ligado a mestres que foram alunos de outros mais antigos e que, até uma dada extensão, tiveram um professor comum ou foram colegas de academias.

A Arte de Sokon Matsumura

Sokon Matsumura (também conhecido por Buseitatsu, Unyu, Bushi Matsumura ou Bucho) nasceu numa bem conhecida família shizoku do vilarejo de Yamagawa, Shuri. Era bem formado escolarmente, um notável mestre da caligrafia oriental e, desde muito cedo, como a maioria dos jovens de Shuri, aprendeu os fundamentos do ti. Mais tarde, diz-se, aprendeu a lutar com o bastão longo (bo) com o mestre Sakugawa (To-de Sakugawa) que tinha, a seu turno, aprendido a arte na China e vivia então no vilarejo de Akata, Shuri.

Tendo trabalhado como guarda-costa de três gerações sucessivas de reis okinawanos (algumas fontes garantem que ele foi também um instrutor da corte), Sokon Matsumura visitou Fuchou e Satsuma como enviado oficial para assuntos de estado. Em Fuchou visitou diversas escolas de Boxe Chinês e estudou sob a égide dos adidos militares Ason e Iwah, tendo, inclusive, a oportunidade de visitar o templo Shaolin de Fukien. Em Satsuma, Matsumura foi iniciado no sistema de esgrima Jigen-ryu pelo Mestre Yashichiro Ijuin.

Após se aposentar, Matsumura ensinou karate num espaço aberto no vilarejo de Sakiyama, Shuri. Seus alunos mais famosos foram: Anko Itosu (1832 – 1916); Anko Asato; Kentsu Yabu (1866 – 1937); Kiyuna Pechin; Chomo Hanashiro; (1869 – 1945); Sakihara Pechin; Gichin Funakoshi (1868 – 1957); Ryosei Kuwae (1853 – ?); Chotoku Kyan (1870 – 1945).

É muito difícil decifrar o temperamento de Matsumura. Segundo Funakoshi [3], Matsumura tinha qualidades sobre-humanas. Segundo uma história contada por Chotoku Kyan, certa ocasião Matsumura tinha deixado uma casa de chá em Tsuji junto com alguns discípulos e, ao retornar para casa, encontraram alguns marinheiros bêbados fazendo arruaça, chingando os passantes, e os alunos, temendo pela segurança do mestre já idoso, sugeriram a Matsumura que alterasse o trajeto para evitar um provável confronto. Entretanto, o velho mestre decidiu que não mudariam o trajeto e, como não poderia deixar de ser, os cinco arruaceiros partiram para cima de Matsumura com uma saraivada de socos e pontapés. Enquanto os discípulos pensavam no que fazer, eles observaram chocados o seu mestre executar um rolamento à guisa de uma bola no meio da estrada, aparentemente sem ser atingido pelo ataque. Ao perceberem que o velho não era um homem comum, os atacantes recuaram, enquanto Matsumura ficava de pé diante deles com o topete desmanchado, pois o grampo de prata que o prendia havia caído próximo aos pés dos marinheiros assustados. Um deles pegou o objeto rapidamente e o entregou a Matsumura com um pedido veemente de desculpas e os cinco viraram nos calcanhares e se foram embora o mais prontamente possível.

As datas de nascimento e morte de Sokon Matsumura não são muito precisas. Segundo Shoshin Nagamine, em 1897 houve uma festa de comemoração dos seus 88 anos, o que leva à conclusão de que Matsumura tenha nascido em 1809. Katsuya Miyahira (da linha Kobayashi) e outros mestres afirmam que Matsumura morreu aos 92 anos, o que permite concluir que tenha morrido aproximadamente em 1901. Documentos e cartas deixados por Matsumura constatam o tipo de mentalidade da época. Uma carta escrita para seu pupilo Ryosei Kuwae tem sido publicada frequentemente em japonês e foi traduzida para o inglês pela primeira vez por Mark Bishop [1] e o seu conteúdo é o seguinte:

Se você pretende praticar artes marciais, você deve conhecer o verdadeiro significado delas, logo, resolvi colocar alguns pontos; por favor, examine-os atentamente.

Assim, a maneira de aprender e a maneira de lutar têm um único propósito. Existem respectivamente três formas de aprender e de lutar. As três formas de aprender são as seguintes: 

1. leitura, escrita e aritmética – os três R’s
2. exegética
3. o estudo do Confucionismo. 

Os três R’s incluem caligrafia, composição de sentenças a partir de palavras e ser capaz de calcular o total do estipêndio de arroz requerido por pessoas importantes. Exegética é ensinar às pessoas o sentido do dever apurado através dos clássicos chineses, tendo o meio do profundo conhecimento e do ensino como exemplos. Ambas as escolas primárias de aprendizado são distintas sendo apenas artes literárias, entretanto, o aprendizado do Confucionismo leva à sinceridade, pureza de coração e o senso de propriedade de todas as coisas. Dessa forma, o bom governo de um lar (e mesmo de um país) resultará em paz mundial.

Isto é verdadeiro conhecimento, verdadeiro Confucionismo. Os três tipos de artes de luta são: 

1. aqueles dos instrutores da corte
2. estilos nomeados
3. as verdadeiras artes de luta. 

Os estilos dos instrutores da corte são praticados de maneira pouco usual; os movimentos nunca são os mesmos, sem forma e leves, tornando-se (como que femininos) mais e mais parecidos com uma dança conforme a maturidade dos proponentes. Os expoentes dos estilos nomeados não praticam regularmente, eles vão e vêm aqui e ali, imaginando como vencer, discutindo com pessoas talvez difíceis de se convencer. O pior de tudo é que eles causam danos ao corpo, envergonhando seus pais e familiares. Com as verdadeiras artes de luta você não se distrai, assim imagina uma busca, governa seu próprio coração e espera pelo transtorno do seu inimigo; se aquieta e espera que o inimigo fique agitado; arrebate o coração do inimigo e o conquistará. À medida que sua proficiência aumenta obterá distinção, você será capaz de tudo, não será desorientado, saberá o lugar da piedade filial. O espírito de um tigre feroz e a velocidade de um gaivão voador se desenvolverão naturalmente de forma que você será capaz de se sobrepor a qualquer agressor.

Um sábio escreveu no Chudokansha as seguintes chamadas ‘Sete Virtudes Marciais’: Artistas marciais estão proibidos de agir desregradamente; soldados devem praticar a repreensão, ajudar as pessoas, se distinguirem e salvaguardar o povo de forma que a população possa viver em paz e ter fortuna abundante. Logo, no aprendizado das artes de luta está o caminho da verdade. Os estilos dos instrutores da corte e nomeados são inúteis, então considere as verdadeiras artes de luta cuidadosamente. Creio que possas agarrar a oportunidade de agir de acordo com a restrição, de tal forma que se você praticar com os pontos prévios em mente, já foi dito que o abdômem inferior se tornará o armazém da sua energia. A arte marcial original de Sokon Matsumura foi mantida inalterada por discípulos como Nabe Matsumura (neto de Sokon) e seus alunos, dentre os quais destaca-se Hohan Soken (sobrinho de Nabe), fundador de uma academia onde é praticado o chamado Shorin-ryu Ortodoxo de Matsumura. Neste estilo são praticadas técnicas de diversas armas de kobudo (em especial o kama – foice, e o sai – pequenos tridentes de ferro com o estilete central mais longo ) e os katas Naihanchi Shodan, Naihanchi Nidan, Naihanchi Sandan, Pinan Shodan, Pinan Nidan, Passai Sho, Passai Dai, Chinto, Kusanku, Gojushiho, Sesan, Rohai Jo, Rohai Chu, Rohai Ge e Hakutsuru (Garça Branca), este último executado nos velhos tempos sobre uma prancha de madeira com apenas 30 cm de largura estendida sobre as bordas de um tanque de criação de peixes. Hohan Soken emigrou para a Argentina em 1920, onde trabalhou como colono em fazendas, e retornou a Okinawa em 1952, quando começou a ensinar karate. Em 1989, devido à idade avançada, Hohan Soken já não ensinava mais, a não ser a alguns alunos mais antigos, e o estilo passou a ser ministrado por quatro de seus alunos: Seiki Arakaki, Mitsuo Inoue, Jushin Kohama e Hideo Nakazato, que formaram a Associação Matsumura de Shorin-Ryu Karate-Do, sendo seu presidente Seiki Arakaki, embora Hohan Soken não admita esta liderança, uma vez que, na opinião de Soken, os katas praticados por Arakaki são um pouco diferentes dos originais de Matsumura. Ocorre que, como a maioria dos jovens de Okinawa do período anterior à guerra, Seiki Arakaki estudou o karate de Anko Itosu com diversos outros mestres enquanto estava na escola.

Como já foi mencionado, Sokon Matsumura teve muitos alunos mas os que mais se destacaram, dando origem a linhagens de estilo que se preservaram até os dias de hoje foram Anko Itosu e Chotoku Kyan. Este dois grandes mestres deram origem a dois grandes ramos dos chamados estilos do grupo Shorin. No entanto, vale mencionar aqui que o seu aluno Anko Asato também contribuiu de forma significativa para a formação do karate moderno. Este grande mestre foi, junto com seu homônimo Anko Itosu, um dos instrutores do Grão Mestre Gichin Funakoshi que levou a luta para o Japão, criando o estilo Shotokan (nome da academia fundada por Funakoshi, cujo apelido era Shoto) e que se tornou um dos estilos mais difundudos a nível mundial.

Os Dois Grandes Ramos

Anko Itosu e Chotoku Kyan foram os grandes precursores do estilo Shorin-ryu como ele é conhecido atualmente. Tendo aprendido karate do mestre Sokon Matsumura, estes mestres o transmitiram a seus discípulos sem alterar a essência, embora com pequenas diferenças. Cada um levou à criação de linhas que deram origem a organizações locais e internacionais. Chotoku Kyan teve um número menor de alunos que Anko Itosu, mas não menos proeminentes. As linhas mais difundidas são a Matsubayashi e a Kobayashi (os caracteres kanji que representam esses nomes têm a mesma pronúncia – shorin – mas são diferentes). A seguir serão apresentados os mestres de cada uma dessas linhas, com seus alunos e suas técnicas principais, mostrando as suas ramificações que se extendem até às Américas, incluindo principalmente os Estados Unidos e o Brasil.

A Linha Matsubayashi

A linha Matsubayashi (que ao pé da letra significa ‘bosque de pinheiros’) foi fundada pelo Grão Mestre Shoshin Nagamine que conferiu o nome ao estilo por volta de 1947, em homenagem aos mestres Kosaku Matsumora (um antigo praticante de Tomari-te e que também ministrou aulas a Gichin Funakoshi) e Sokon Matsumura.

Tendo sido aluno direto de Chotoku Kyan, Nagamine é bastante conhecido e reverenciado em Okinawa. A seguir serão apresentados alguns dados destes mestres tão importantes para o karate de Okinawa.

Chotoku Kyan
O pai de Chotoku Kyan, Chofu Kyan, foi mordomo do último rei de Okinawa, Sho Tai, e o acompanhou quando o rei foi exilado para Tokyo. O jovem Chotoku também empreendeu essa viagem para Tokyo, onde recebeu a maior parte de sua educação acadêmica e, mais tarde, após retornar a Okinawa, aprendeu karate de vários professores aos quais fora apresentado por seu pai, aprendendo os katas:

Seisan, Naihanchi e Gojushiho (de Sokon Matsumura – Shuri-te)
Kusanku (de Yara Chatan – Shuri-te, que imigrou de Shuri para se estabelecer no vilarejo de Yomitan)
Passai (de Kokan Oyadomari – Tomari-te)
Wanshu (de Maeda Pechin, um aluno de Kosaku Matsumora – Tomari-te)
Chinto (de Kosaku Matsumora – Tomari-te)
Ananku (de um chinês de Taiwan que visitou Okinawa na época – há quem diga que Kyan trouxe este kata de uma viagem que fez a Taiwan)
Tokumine no Kun (de Tokumine Pechin, de Yaeyama – kata de bo)

Chotoku Kyan era um homem de pequena estatura, magro e tinha o apelido de Chan-Mi-gwa ( ‘Pequenos Olhos’) devido a um permanente estrabismo. Na sua vida adulta, Kyan foi muito pobre, porém diz-se que costumava frequentar os bordéis de Tsuji e gostava muito de viajar. Para levantar dinheiro para essas atividades Kyan usava diversos meios; uma vez sua esposa comprou uma porca e, toda vez que esta dava à luz, vendia os bacorinhos por quantias acima do combinado com a esposa, ficando com a diferença para si. Kyan era tido também como asmático e passava longas temporadas de cama. Dois de seus alunos mais indisciplinados, Ankichi Arakaki (que também ensinou Shoshin Nagamine) e Taro Shimabuku sempre o acompanhavam em suas viagens. Uma ocasião eles foram numa viagem de artes marciais na ilha de Hokkaido, no norte do Japão, anunciando que aceitariam qualquer desafio. Durante tais disputas Kyan sempre aconselhava os discípulos a nocautear os oponentes sempre que estes os empurrassem para os limites da arena. Quando visitava Tsuji, Kyan ensinou seu dois discípulos que apenas a prática do karate sozinha não era suficiente e que eles deveriam participar de festivais de bebedeira e se associar com prostitutas para completar o treino em artes marciais ! Kyan adorava brigas de galos e frequentemente levava seus dois alunos às rinhas nas vilas vizinhas. Durante essas visitas às rinhas, onde muitos jovens se juntavam para apostar, Arakaki e Shimabuku, para testar a resistência do seu professor, provocavam brigas e saiam de fininho. Kyan, então, ainda com o seu galo preferido debaixo do braço, enfrentava os atacantes, derrotando-os apenas com o braço livre, para deleite dos alunos que ficavam observando às escondidas.
Chotoku Kyan ensinava karate em sua casa próximo à Ponte Hija, no bairro de Yomitan. Mais tarde, tornou-se instrutor da Escola de Agricultura da Prefeitura de Okinawa e da Academia de Polícia de Kadena. Entre seu alunos contam-se Joen Nakazato, Shoshin Nagamine, Zenryo Shimabukuru, Tatsuo Shimabuku e Eizo Shimabuku. Ãs vezes fazia demonstrações de karate com Choshin Chibana (aluno de Anko Itosu) e, em 1942, na abertura do dojo de Shoshin Nagamine, fez uma apresentação da sua arte para o Almirante Kenwa Kanna. Em 1943, Kyan e três de seus alunos fizeram uma demonstração nas escolas primárias de Motobu e Nakijin em prol de elevar o moral das famílias que haviam perdido seus filhos na guerra. Nessa ocasião Kyan tinha 73 anos e encantou a platéia quebrando algumas tábuas. Mas sempre negou que fosse capaz de descascar o tronco de um pinheiro com as mão nuas porque, como costumava dizer, ‘a pele das mãos é muito fina’. Kyan ensinava uma adaptação do punho estendido que, como dizia a seus alunos, deveria ser usado contra oponentes mais altos. Apesar da sua baixa estatura, Kyan nunca foi derrotado em todos os desafios de que participou, porque sempre usava táticas de evasão (sabaki). Costumava ensinar a seus discípulos que, se dois arbustos novos de carvalho fossem golpeados juntos, apenas a casca seria danificada, mas, que se dois ovos frescos fossem rolados juntos, ambos se quebrariam. ‘Não há nada mais assustador que o karate,’, dizia, ‘assim especialistas não tentam lutar’. Chotoku Kyan sobreviveu ao holocausto da Batalha de Okinawa, mas morreu pouco tempo depois na região norte da ilha de cansaço e má nutrição, aos 76 anos de idade.

Shoshin Nagamine
O fundador do estilo Matsubayashi-ryu, Shoshin Nagamine, é um dos poucos okinawanos que escreveram consideravelmente sobre o karate. No seu excelente livro, The Essence of Okinawan Karate-do [2], Nagamine apresenta uma descrição histórica e técnica completa do estilo, bem como os seus conceitos em relação ao karate de competição. Filho de um fazendeiro, Nagamine tinha problemas de saúde durante a infância, mas, a partir dos 17 anos de idade, começou a treinar karate com Chojin Kuba, um mestre de Tomari-te, e sua saúde foi gradualmente melhorando. A seguir, Nagamine aprendeu karate com os alunos de Chotoku Kyan, Ankichi Arakaki e Taro Shimabuku, ao mesmo tempo em que praticava Tomari-te com o mestre Kodatsu Iha.

Em 1928 Shoshin Nagamine foi enviado à China para prestar o serviço militar. Em 1931, depois de retornar a Okinawa, entrou para a força policial, sendo indicado para a Academia de Polícia de Kadena por 4 anos, onde recebeu instruções de karate, diretamente de Chotoku Kyan. Enquanto estudava na Academia metropolitana de Tokyo, em 1936, Nagamine teve a oportunidade de aprender luta prática com Chokki Motobu; também conheceu os alunos de Sokon Matsumura e Anko Itosu, Chomo Hanashiro e Kentsu Yabu, que o avisaram de que os katas de karate em Tokyo tinham mudado de forma considerável e de que teria um penoso trabalho para ensiná-los na sua forma original.

Mais tarde, em 1940, Nagamine recebeu o título de Renshi (sob recomendação de Chojun Miyagi – um dos fundadores do estilo Goju-ryu) e o 3o. Dan em kendo no festival Japonês de Artes Marciais realizado em Kyoto. Em 1941 elaborou o kata Fukyu Ichi, com o propósito de ensinar o karate à crianças em idade escolar, e, em 1942, abriu seu primeiro dojo em Tomari. Após a Batalha de Okinawa, Nagamine sentiu a necessidade de ajudar a juventude desanimada da ilha e decidiu construir outro dojo (tendo o primeiro sido destruído) mas, em 1951, antes de realizar o seu sonho, foi promovido a superintendente de polícia e tornou-se chefe de delegacia de polícia em Motobu, no norte de Okinawa. No ano seguinte, treinou o time de judo que venceu o Torneio de Okinawa, então, em 1953, aposentou-se da força policial e construiu o seu atual ginásio, chamado The Kodokan (originalmente Kodokan Karate-Do e Kobujutsu Dojo), em Naha.

Na formação da Federação de Karate de Okinawa (uma organização tipo guarda-chuva) que originalmente incluia os estilos: Goju-ryu, Uechi-ryu, Shorin-ryu (Kobayashi) e Matsubayashi-ryu) em maio de 1956, Nagamine tornou-se o primeiro vice-presidente da entidade e, mais tarde, um conselheiro. Em 1969 começou a estudar na escola de Zen-Budismo Myoshinji com o monge Kensei Okamoto, e na Escola de Budismo Enkakuji com o monge Sogen Sakiyama e, a partir de então tem sempre incluído a meditação Zen como parte integral do Matsubayashi-ryu.

O Matsubayashi-ryu (cuja pronúncia alternativa é também Shorin-ryu) foi assim nomeado em 1947 por Shoshin Nagamine, em honra de Kosaku Matsumora e Sokon Matsumura cujos ensinamentos influenciaram profundamente o estilo. A linha Matsubayashi contém 18 katas: Fukyu-Ichi, Fukyu-Ni (ou Gekisai-Ichi), Pinan Shodan, Pinan Nidan, Pinan Sandan, Pinan Yondan, Pinan Godan, Naihanchi Shodan, Naihanchi Nidan, Naihanchi Sandan, Ananku, Wankan, Rohai, Wanshu, Passai, Gojushiho, Chinto e Kusanku; bem como as seguintes cinco armas de kobudo: bo, nunchaku, tuifa, sai e kama (o kama – foice – é, por óbvias razões, ensinado apenas aos detentores da faixa preta – Yudansha).

Mesmo nos dias de hoje, Nagamine ministra aulas pela manhã (de 7:30 h às 9:00 h) e à tarde (de 14:30 h às 16:00 h). Seu filho, Takayoshi Nagamine, dá aulas no horário mais popular de 18:30 h às 20:30 h, mas esteve alguns anos ensinando nos Estados Unidos, em Ohio, onde deixou ramificaçòes do estilo.

A Linha Kobayashi

A grande linha Kobayashi desenvolveu-se a partir dos principais discípulos de Anko Itosu e representa o ramo que mais tem praticantes em Okinawa e nas Américas. Este nome representa a leitura alternativa dos caracteres Shorin-ryu que é a pronúncia japonesa da palavra chinesa Shaolin (ao pé-da-letra ‘pequeno bosque’). A seguir serão apresentados dados referentes aos grandes mestres precursores deste estilo.Anko Itosu.

Anko Itosu nasceu em 1832 no vilarejo de Yamagawa, Shuri, e estudou karate desde muito jovem com Sokon Matsumura. Bem versado, tanto nos Clássicos Chinêses quanto nos Japonêses, tornou-se secretário (escriba) do último rei de Okinawa, Sho Tai, até que a monarquia foi extinta em 1879. Informações concernentes aos seus próximos 20 anos são vagas, mas, segundo Katsuya Miyahira, durante esse período Itosu aprendeu karate com Gusukuma Shiroma de Tomari e de um chinês que também vivia em Tomari. Mais tarde, Itosu simplificou o kata Naihanchi de Matsumura, desenvolveu o soco chinês tipo saca-rolha na sua forma atual e criou os katas Pinan Shodan, Pinan Nidan, Pinan Sandan, Pinan Yondan e Pinan Godan, a partir do kata Kusanku, que considerava muito difícil para os principiantes. Há quem diga que esses katas foram criados a partir de um outro kata que Itosu havia aprendido de um chinês chamado Chiang Nan que vivia em Okinawa naquela época, adotando os nomes Pinan porque achava que o nome Chiang Nan era muito difícil de pronunciar. 

Esses katas tornaram-se os Heian de Gichin Funakoshi do estilo Shotokan, em Tokyo. Itosu também aprendeu o kata Chinto de um mestre chamado Nakahara.
Em abril de 1901 Itosu introduziu o karate na Escola Primária Jinjo de Shuri, como parte do currículo de treinamento físico.  Como, a princípio, o karate era considerado arriscado para crianças, Itosu procurou remover algumas técnicas perigosas e simplificar alguns katas e kihons, criando sequências de ataque-defesa. Em 1905 Itosu tornou-se professor de karate do Colégio Municipal Dai Ichi e do Colégio Municipal de Trinamento de Professores. Três anos depois escreveu uma carta para o Departamento Municipal de Educação que dizia respeito à introdução do karate em todas as escolas de Okinawa, o que mais tarde se espalhou por todas as escolas do Japão, representando um papel essencial no programa de doutrinação militar do país. A carta dizia o seguinte:
To-de não se desenvolveu a partir do Budismo ou do Confucionismo. Em passado recente, Shorin-ryu e Shorei-ryu foram trazidos da China. Ambos têm pontos fortes semelhantes, de forma que, antes que ocorram muitas mudanças, gostaria de colocá-las em pauta. 

1. To-de é, antes de mais nada, para o benefício da saúde. Para proteger os pais ou seus professores, é apropriado atacar um inimigo apesar do risco de vida. Nunca ataque um adversário só. Se se encontra um vilão ou rufião não se deve usar o To-de, mas simplesmente se defender e dar um passo para o lado.
2. O propósito do To-de é fazer o corpo rígido como pedras e ferro; mãos e pés devem ser usados como pontas de flechas; o coração (espírito) deve ser forte e valente. Se as crianças tiverem que praticar o To-de desde os seus dias de escola primária elas estarão bem preparadas para o serviço militar. Quando Wellington e Napoleão se encontraram, eles discutiram sobre a idéia de que ‘a vitória de amanhã virá dos pátios de recreio’.
3. To-de não pode ser aprendido rapidamente. Como um touro lento que se movimenta, que eventualmente caminha milhares de milhas, se se estuda seriamente todos os dias, em três ou quatro anos se compreenderá o que significa o To-de. A estrutura óssea final mudará.
Aqueles que estudam como segue descobrirão a essência do To-de:
4. No To-de as mãos e os pés são importantes, de forma que eles precisam ser completamente treinados no makiwara. Assim fazendo, abaixe os ombros, encha os pulmões, mantenha sua resistência, agarre o solo com os artelhos e concentre sua energia intrínsica na região baixa do abdômem. Pratique com cada braço uma ou duas centenas de vezes.
5. Quando praticando as bases do To-de, certifique-se de que suas costas estejam retas, abaixe os ombros, mantenha a resistência, dirigindo-a para suas pernas, apoie-se firmemente e coloque sua energia intrínseca na região baixa do abdômem, cujo topo e fundo devem ser mantidos apertados.
6. As tecnicas externas do To-de devem ser praticadas, uma a uma, muitas vezes. Devido a essas técnicas serem passadas adiante de boca, tenha o trabalho de aprender as explicações e decida quando e em que contexto seria possível usá-las. Vá fundo, contra, relaxe; é a regra do Torite (literalmente, ‘mãos relaxadas’).
7. Você deve decidir se To-de é para cultivar a saúde ou para melhorar seu dever.
8. Durante a prática você deve se imaginar num campo de batalha. Quando bloqueando e atacando faça seus olhos brilharem, abaixe os ombros e endureça o corpo. Agora bloqueie o soco do inimigo e ataque ! Sempre pratique com este espírito, tal que, quando num campo de batalha real, você estará naturalmente preparado.
9. Não se esforce em demasia durante a prática porque a energia intrínsica aumentará, suas faces e seus olhos ficarão vermelhos e seu corpo ficará sentido. Seja cuidadoso.
10. No passado, muitos dos que dominavam o To-de viveram até uma idade avançada. Isto é porque o To-de ajuda no desenvolvimento dos ossos e dos tendões, auxilia os orgãos digestivos e é bom para a circulação do sangue. Logo, de agora em diante To-de deve se tornar o fundamento de todos as lições esportivas da escola primária em diante. Se isto for colocado em prática, creio que muitos homens poderão vencer até cem agressores.
A razão de todas estas afirmações é que , na minha opinião, todos os alunos do Colégio Municipal de Treinamento de Professores devem praticar o To-de, de forma que, quando se graduarem a partir daqui, eles possam ensinar seus alunos nas escolas exatamente como eu os ensinei. Dentro de dez anos To-de se espalhará por toda Okinawa e para a terra principal do Japão. Isto se tornará um bem para a nossa sociedade militarista. Espero que estudem carinhosamente as palavras que aqui escrevi.
Anko Itosu, ano 41 da Era Meiji, Ano do Macaco (outubro de 1908)

Os motivos de Itosu eram óbvios, mas é duvidoso que ele pudesse envisionar a monstruosa resistência que o militarismo japonês adquiriu, ou os anos de sofrimento e devastação que seu povo e sua pátria sofreram devido a esse militarismo.

Investigando o caráter de Itosu, descobre-se que ele foi uma espécie de figura paterna para os seus alunos, enquanto que, fisicamente, possuia um peito largo como um barril, tinha uma longa barba e possuia uma grande força interior. Itosu era imensamente cauteloso, reservado e mantinha em seu dojo em Kubagawa uma disciplina espartana. Dentre seus amigos, Anko Asato (um mestre de ti e brilhante espadachim) achava que as mãos e os pés deviam ser como lâminas e que o contato com o oponente devia ser evitado a qualquer custo. Itosu, no entanto, achava que o corpo não precisava ser tão móvel, mas capaz de absorver os mais duros golpes. Choshin Chibana costumava dizer que Itosu tinha um soco muito potente, mas que Sokon Matsumura falava para ele que, apesar de ter um soco poderoso, não era capaz de atingí-lo.

Anko Itosu faleceu em 1916 aos 85 anos, mas deixou para trás uma impressionante lista de discípulos que, a seu tempo, realizaram o seu sonho. Dentre os nomes mais famosos estão: Kentsu Yabu (1866 – 1937); Gichin Funakoshi (1868 – 1957); Chomo Hanashiro (1869 – 1945); Choshin Chibana (1885 – 1969) – fundador da linha Kobayashi; Kenwa Mabuni (1889 – 1952) – fundador do estilo Shito-ryu.

Choshin Chibana

Dos alunos de Anko Itosu, Gichin Funakoshi é provavelmente o mais conhecido na terra principal do Japão, onde fez muito para popularizar o seu estilo Shotokan, encorajando a sua propagação em todo o mundo. Em Okinawa, Choshin Chibana ensinou o karate de Itosu com muita energia, conferindo o nome Shorin-ryu em 1935, adotando os caracteres chineses que significam ‘pequeno bosque’, os quais têm como pronúncia alternativa a palavra Kobayashi e são os mesmos da palavra chinesa Shaolin.

Muitas fontes afirmam que Chibana era nativo do vilarejo de Torihori, Shuri, onde nasceu no dia 5 de junho de 1885, e que iniciou seu treinamento de karate aos 13 anos de idade (após ter sido encorajado por duas vezes a desistir) sob a tutela do Mestre Anko Itosu (seu único professor), com quem permaneceu durante 13 anos. Aos 34 anos, Chibana estabeleceu um dojo em Torihori e ensinou o karate de Itosu praticamente sem alteração. Mais tarde mudou esta academia para o vilarejo de Komoji, Naha e, em 1929, mudou a escola para o Paço do Barão Nakijin na vila de Gibo, Shuri, chamando o dojo de Tode Kenkyu Sho (Clube de Pesquisas do To-de).

Após a batalha de Okinawa, Chibana encontrava-se na Península Chinen, onde ensinou karate até 1948, antes de retornar a Shuri e reabrir uma academia em Gibo. Posteriormente abriu clubes consecutivamente em Jiku, Asato, Sakayamachi, Mihara (todos em Naha) e na vila de Yamagawa, Shuri, mudando de um lugar para outro.

De 1954 a 1958 Choshin Chibana foi empregado como instrutor de karate na delegacia de polícia de Shuri, tendo recebido o tão cobiçado 10o. Dan em 1957. Em maio de 1956, na formação da Federação de Karate de Okinawa (da qual foi membro fundador), Chibana tornou-se seu primeiro presidente. Dois anos depois passou o cargo e fundou a Associação Okinawa Shorin-ryu Karate-Do, sendo seu primeiro presidente. Em 1960, Chibana recebeu do Okinawa Times Shinbun o Prêmio de Distintos Serviços à Cultura Física e, em 1968, foi condecorado com a Ordem Kunyonto do Sagrado Tesouro pelo Imperador Hiroito. Durante sua vida, Choshin Chibana fez muitas demonstrações de karate, e, na sua última em 1968, dançou para uma deliciada platéia. Faleceu de cancer facial, no dia 26 de fevereiro de 1969, do qual já vinha sofrendo a algum tempo.

Segundo depoimentos de Katsuya Miyahira, Choshin Chibana acreditava que, por ser o karate uma arte marcial, este não podia ser ensinado como um esporte ou como um mero exercício físico. ‘Durante a prática,’ costumava dizer, ‘deve-se esquecer de tudo e capturar a energia espiritual de forma que a cabeça, os olhos, as mãos e os pés fiquem unidos; os dedos e os artelhos devem ser como arpões tal que mesmo o mais simples dos socos ou dos chutes sejam mortais. Atingir este objetivo requer tempo e prática insistente; exageros apenas resultam em ferimentos.’ Miyahira diz que Chibana acreditava que deve-se adaptar e desenvolver formas que se adaptem a própria forma física e ao temperamento. Quando jovem, Chibana queria ser o mais forte e mais famoso karate-ka de todos os tempos e foi este espírito que o fez chegar aos 80 anos de idade. ‘Ao envelhecer,’ dizia, ‘o corpo fica mais forte, mas ao chegar aos 50 ou 60 anos, deve-se moderar nos treinamentos; então uma espécie diferente de força se desenvolve.’

Chibana revelou a Mark Bishop [1] que seus princípios secretos mais importantes foram: 

1.entender os katas e medir o aproveitamento físico de forma que após muitas repetições a força normal se desenvolve
2.em artes marciais a velocidade é essencial
3.com a prática dos katas de karate a percepção fica mais aguda e os golpes mais potentes.
Choshin Chibana, junto com seu Mestre Anko Itosu, introduziu muitas inovações no karate e teve mais de 5000 alunos, entre os quais vários estão espalhados pelo mundo, sendo o mais conhecido, e talvez o mais importante fora de Okinawa, o Mestre Yoshihide Shinzato, 9o. Dan, fundador da União Shorin-ryu Karate-Do do Brasil e da International Union Shorin-ryu Karate-Do Federation, entidade que abriga as mais importantes federações da linha Kobayashi do estilo Shorin-ryu no mundo todo.

Katsuya Miyahira

Com a morte de Choshin Chibana, Katsuya Miyahira tornou-se o presidente da Associação Shorin-ryu Karate-Do de Okinawa. Tendo nascido a 16 de agosto de 1923, aos 15 anos ingressou no dojo do Mestre Choshin Chibana, enquanto estudava na Escola Municipal Número Um de Okinawa (hoje Escola Superior de Shuri). Estudou karate também com o instrutor da escola, Anbun Tokuda que, como Chibana, tinha sido discípulo de Anko Itosu. Enquanto trabalhava em Naha, Miyahira teve a oportunidade de treinar o combate livre com Chokki Motobu que estava nessa ocasião numa de suas viagens de retorno de Osaka, no Japão principal. Segundo Miyahira, o dojo de Motobu ficava no vilarejo de Makishi, Naha e lá os alunos praticavam ao ar livre sobre um chão de terra batida e de pés descalços.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Miyahira trabalhou como professor em escolas na Manchuria onde também ensinava defesa-pessoal. Após a guerra, retornou a Okinawa e ensinou karate no jardim de sua casa no vilarejo de Kaneku em Nishihara, auxiliando o Mestre Chibana em Asato. Em 1948, Miyahira mudou-se para Tsuboya, em Naha, inaugurando a sua primeira academia em Goeku (Koza), ao mesmo tempo que ensinava karate duas vezes por semana durante o dia na Universidade de Okinawa, em Shuri. Em Goeku, Katsuya Miyahira ensinou karate a muitos militares americanos que serviam na base, embora, segundo o próprio Mestre, ‘… muitos desistiam com o passar do tempo.’ 

Em 1956, Miyahira construiu um dojo todo em madeira (ao qual deu o nome de Shidokan) atrás de sua residência em Tsuboya, onde tem ensinado karate desde então. Em 1958, recebeu o diploma Kyoshigo, que significa ‘o que sabe ensinar’, por seu trabalho de divulgação do karate nas escolas e universidades. Em sua academia, Katsuya Miyahira ensina os katas: Naihanchi Shodan, Naihanchi Nidan, Naihanchi Sandan, Pinan Shodan, Pinan Nidan, Pinan Sandan, Pinan Godan, Passai Sho, Kusanku Sho, Passai Dai, Kussanku Dai, Chinto, Jion, Gojushiho, Wankan, Wanshu e Seisan. Recentemente, utilizando uma prerrogativa de sua graduação (10o. Dan), incorporou ao estilo dois novos katas por ele elaborados, fruto de intensas pesquisas ao longo de sua vida de karate-ka: o Teisho e o Kuryu Passai. Em Okinawa, tendo mais de 200 alunos graduados com a faixa-preta 1o. Dan, Miyahira tem ramificações de sua Associação em diversas partes do mundo, as quais visita de tempos em tempos. Em 1966 viajou para Manila, nas Filipinas, para fundar novos centros de ensino do Shorin-ryu. Na Austrália possui filiais e, na América do Sul, um aluno seu, chamado Shoei Miyazato, fundou um dojo (também denominado Shidokan), na Argentina. No Brasil, Yoshihide Shinzato, discípulo de Choshin Chibana, também é muito ligado a Miyahira.

Miyahira costuma dizer que, nos velhos tempos, era hábito os alunos visitarem vários mestres de karate, de forma a aprender as técnicas especiais de cada um e os katas nos quais eram mais proficientes, mas que, nos dias de hoje, esta prática, infelizmente, não é mais utilizada. Segundo Miyahira, os ensinamentos de Chibana incluiam bastante o trabalho com o makiwara, o qual era construído pelos próprios alunos, serrando pela metade uma tábua grossa de madeira shiza na direção diagonal longitudinal. Dizia, ainda, que Chibana era pequeno e leve (tinha apenas 1,62 metros de altura), mas que, no entanto, sua resistência física era fenomenal. Isto era resultado do desenvolvimento do ki (o qual reside no tandem – baixo abdômem) obtido através do treinamento constante do karate.

O Estilo Shorin no Brasil

O estilo Shorin chegou ao Brasil com a vinda do Mestre Yoshihide Shinzato em 1954, quando este okinawano resolveu emigrar a convite de um tio que já vivia neste país. No início, Shinzato praticou o estilo que aprendera com Choshin Chibana junto com o estilo Goju que aprendeu com outro imigrante de Okinawa, Shikan Akamine. Mais tarde, com a fundação da União Shorin-ryu Karate-Do do Brasil, Shinzato passou a ensinar apenas o estilo Shorin. Esta União tem tido uma grande força devido principalmente ao espírito de liderança de Yoshihide Shinzato, sendo uma das organizações de karate mais coesas e bem organizadas do Brasil, mantendo uma profunda homogeneidade no curriculum de suas academias filiadas. Hoje em dia, apesar da intensa luta política que existe no Brasil neste meio, o Shorin-ryu é reconhecido e respeitado nos principais centros do país, como São Paulo e Rio de Janeiro, sendo parte integrante das organizações que regem a modalidade, tais como as Federações de Karate do Estado de São Paulo (onde Masahiro Shinzato, filho de Yoshihide Shinzato já foi presidente) e do Rio de Janeiro, e da Confederação Brasileira de Karate (onde Shinzato é membro do Conselho de Graduação). Há 34 anos no Brasil, o estilo Shorin, pode-se afirmar, é um dos mais antigos a serem ensinados, junto com o Shotokan, trazido pelo pioneiro Harada para São Paulo. A história do karate brasileiro, em especial o estilo Shorin, confunde-se com a própria história da vida de Yoshihide Shinzato, um dos maiores karatekas do Brasil, da América do Sul e, porque não dizer, do mundo.

Yoshihide Shinzato

MESTRE  SHINZATO

Nascido em 15 de março de 1927 na aldeia de Haebaru, Shuri, em Okinawa, Yoshihide Shinzato começou a praticar Karate aos 12 anos de idade, na escola (curso ginasial) com Anbun Tokuda (1886-1945), contemporâneo de Choshin Chibana e, como este, discípulo do Grão-Mestre Anko Itosu. Após completar os estudos, Shinzato entrou para a academia do renomado Mestre Choshin Chibana. Durante a Segunda Guerra Mundial, Shinzato serviu no exército japonês como rádio-telegrafista, em Tokyo, retornando ao fim da guerra a Okinawa, onde retomou os treinamentos com Chibana. Devido às grandes dificuldades decorrentes do período pós-guerra, Shinzato resolveu aceitar o convite de um tio que havia emigrado para o Brasil e tomou um navio, desembarcando em Santos em 15 de janeiro de 1954, onde viria a fixar residência no município de Praia Grande. Assim que chegou, imbuído do espírito de aventura, Shinzato passou a trabalhar na lavoura onde plantava principalmente agrião, tornando-se, em seguida, feirante em Santos. Neste período, Shinzato começou a praticar o karate nos fundos de sua casa, onde ensinava ao filho mais velho e aos filhos de alguns membros da colônia okinawana local. Em 1962 Shinzato fundou a sua primeira academia em Santos, que viria mais tarde a se tornar uma forte associação, e, 5 anos depois, fundou uma organização nacional, com centenas de academias e clubes filiados. Apesar de muito ligado ao espírito marcial do karate, Shinzato tem dado muita importância ao aspecto esportivo da luta, incentivando a prática do karate de competição, sem o qual, nos dias de hoje, uma arte marcial não sobrevive, principalmente com o advento do karate olímpico, após o reconhecimento da modalidade pelo Comitê Olímpico Internacional.

De tempos em tempos, Shinzato viajava a Okinawa para reciclar o seu karate com Choshin Chibana, sempre trazendo as novidades da ilha para o Brasil, procurando evitar a degeneração do estilo devido à distância em relação aos centros onde o Shorin-ryu é praticado em Okinawa. Após a morte de Chibana em 1969, Shinzato passou a manter relações mais estreitas com Katsuya Miyahira, o sucessor de Chibana no estilo Shorin da linha Kobayashi em Okinawa. Paralelamente, Yoshihide Shinzato associou-se com o Mestre Katsuyoshi Kanei (falecido em 1993), então presidente da International Okinawa Kobudo Assotciation, procurando complementar o curriculum do Shorin-ryu com as técnicas de lutas com as armas tradicionais de Okinawa. Miyahira visitou o Brasil em 1977, participando dos festejos do 15o. aniversário de fundação da Associação Okinawa Shorin-ryu Karate-Do do Brasil e do 10o. aniversário da União Shorin-ryu Karate-Do do Brasil, e em 1991, na comemoração do 20o. aniversário da Associação, ocasião em que fez demonstrações e ministrou cursos de kata para os karatekas brasileiros. Em 1992, Shinzato reuniu uma equipe com os melhores atletas do estilo e participou, em Okinawa, do Uchinanchu Festival, onde fez demonstrações e visitou mestres e academias famosos da ilha.

Quando indagado, Yoshihide Shinzato costuma responder que, para ele, o karate se resume em: disciplina, responsabilidade, harmonia, humildade e dignidade. Além disso, informa que, quando chegou ao Brasil, foi muito difícil se estabelecer, mas, segundo uma velha frase de seus antepassados que diz “três anos sobre a pedra”, atingiu seus objetivos graças ao esforço e à participação de seus alunos, bem como à compreensão do povo brasileiro que o recebeu com muito carinho e entusiasmo. Com relação à técnica do karate, Shinzato explica que a prática do kata é a essência da arte. No entanto, a prática dos kihons também deve ser enfatizada para que o aprendizado seja completo, tanto que tem elaborado e sistematizado kihons ao longo de sua vida, tornando o estilo Shorin um dos mais bem fundados neste tópico. Dentro de um ano, aproximadamente, Shinzato espera terminar e publicar um livro onde vai mostrar a sua grande visão sobre o karate, apresentando o estilo Shorin e registrando para a posteridade os kihons e os katas do estilo que são os seguintes: Naihanchi Shodan, Naihanchi Nidan, Naihanchi Sandan, Pinan Shodan, Pinan Nidan, Pinan Sandan, Pinan Yondan, Pinan Godan, Passai Sho, Passai Dai, Kusanku Sho, Kusanku Dai, Chinto, Jion, Gojushiho, Unshu, Teisho e Kuryu Passai (estes dois últimos incorporados recentemente pelo Mestre Katsuya Miyahira), dos quais destaca como mais importantes os Naihanchi, os Kusanku e os Passai.

Quando perguntei a Shinzato qual o professor de karate mais importante para o Brasil, ele respondeu que era o pioneiro Harada (do estilo Shotokan), já falecido, praticamente o primeiro a introduzir a luta no nosso país. Indagando, então, sobre os que ainda estão vivos e atuantes, disse, sem falsa modéstia, que era ele mesmo, pelo Shorin-ryu, Keji Takamatsu, pelo Wado-ryu e Juichi Sagara, pelo Shotokan.A Associação Okinawa Shorin-Ryu Karate-Do do Brasil.

Apesar de dar aulas nos fundos de sua casa na Praia Grande algum tempo após sua chegada ao Brasil, somente em 3 de junho de 1962 Yoshihide Shinzato fundou a sua primeira escola, a Academia Santista de Karate-Do, na Rua Brás Cubas, no. 239, 5o. andar, em Santos. Em 15 de dezembro de 1962 a academia foi transferida para a Rua 15 de Novembro, no. 198. Três anos mais tarde, em 10 de junho, passou a se chamar Associação Okinawa Shorin-ryu Karate-Do do Brasil, sendo transferida mais uma vez para a Rua General Câmara, no. 146, 2o. andar. e depois para Avenida Senador Feijó, 219, 2o. andar em 15 de maio de 1976 . Hoje sua academia, (também conhecida como Shinshukan – nome derivado dos ideogramas que compõem o seu próprio nome, Shin de Shinzato e Shu ou Yoshi de Yoshihide, e Kan que significa ‘academia’) fica situada na Avenida Senador Feijó, 616, 1o. andar, sempre em Santos, para onde foi transferida em janeiro de 2000. Seu dojo é frequentemente visitado por karatekas (de todas as faixas e graus), não só do Brasil como também do exterior. Nele são realizados os mais importantes cursos, dos quais participam praticantes, inclusive de outros estilos, sendo considerado a sede da União Shorin-ryu Karate-Do do Brasil, e reuniöes e assembléias onde são tomadas as principais decisões da entidade. Bastante espaçosa e bem equipada com makiwaras (tábua de madeira para calejamento de mãos e pés), sunatawaras (sacos de areia para treinamento de socos, cuteladas e chutes), e equipamento de musculação (apesar de utilizar ainda os antigos implementos inventados pelos professores de Okinawa, tais como os feixes de bambu e os jarros de cerâmica cheios com areia), a academia recebe mais de 200 alunos por dia.

Pelos registros já passaram pela escola mais de 7000 alunos do sexo masculino e mais de 300 do sexo feminino. Na academia são ministradas aulas pela manhã e à tarde nas segundas, quartas, sextas-feiras e sábados, e à tarde nas terças e quintas-feiras. Em quase todas as aulas o Mestre Shinzato participa com seus ensinamentos preciosos, onde fazem sucesso as técnicas de yakusoku-kumite – treinamento de defesa pessoal. O seu método de aula incorpora uma ginástica completa (com quase uma hora de duração), bases de ataque e defesa, katas, técnicas de defesa pessoal, luta de competição, prática com armas antigas e treinamento em aparelhos de fortalecimento físico e teoria de karate, onde estão incluídos o embasamento biofísico e bioquímico e filosofia zen-budista. O principal objetivo é atingir o fortalecimento físico e mental do praticante através de uma equilibrada harmonia de interação e a construção de uma perfeita ética de conduta moral.

Dentre os alunos de Yoshihide Shinzato destacam-se karatekas famosos, alguns campeões nacionais e internacionais do cenário brasileiro, sul-americano e pan-americano, outros eminentes políticos da Baixada Santista. Pelo seu grande trabalho de divulgação nacional e internacional do karate em prol, não apenas da modalidade, mas também de formação do caráter da juventude que pratica este esporte maravilhoso, Shinzato tem recebido muitos prêmios, sendo o mais famoso deles o título de Cidadão Santista, dado pela Câmara Municipal de Santos, em 1983. Em Okinawa seu trabalho foi reconhecido também e de Miyahira recebeu, em 1986, o título de 9o. Dan Hanshi. Na Confederação Brasileira de Karate Shinzato é considerado 8o. Dan.

Yoshihide Shinzato tem três filhos que também praticam o karate assiduamente. O mais velho e único nascido em Okinawa, Masahiro Shinzato, é 9o. Dan e que até 1999 era o presidente da Federação de Karate do Estado de São Paulo. O seu filho do meio, formado em engenharia aeronáutica pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica, Nelson Mitsuhide Shinzato é 6o. Dan. O caçula, Eraldo Kazuo Shinzato, é Engenheiro formado pela Universidade de São Carlos e é 1o. Dan.A União Shorin-Ryu Karate-Do do Brasil.

Em 15 de outubro de 1967, Yoshihide Shinzato uniu-se a alguns praticantes do karate de Okinawa radicados em São Paulo que, embora praticassem o estilo Goju, estavam muito interessados no estilo Shorin (alguns até já o praticavam com Shinzato), e fundou a União Shorin-ryu Karate-Do do Brasil, uma entidade cujo objetivo é reunir as academias de Shorin-ryu a nível nacional. Inicialmente, apenas academias de Santos e São Paulo faziam parte da União. Cerca de 8 anos depois já haviam filiadas nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Sergipe, Paraíba, Bahia, Santa Catarina e Amazonas, congregando mais de 100 academias e clubes associados.

Todo último domingo de cada mês são realizados treinamentos especiais para faixas-pretas (os quais são obrigatórios para aqueles que almejam os graus mais altos). Cursos de arbitragem são ministrados pela União com a anuência da Confederação Brasileira de Karate e da Federação de Karate do Estado de São Paulo. Nos outros estados também é grande a participação das filiadas nos cursos organizados pelas Federações locais. Diversos torneios são realizados a nível estadual e municipal, mas uma vez por ano é realizado um campeonato do estilo Shorin do qual todas as academias e clubes filiados costumam participar. No fim de cada ano a União, sob a égide de Yoshihide Shinzato, faz realizar o Shorin-ryu Karate-Do Bonenkai, uma grande festa de confraternização onde são realizadas demonstrações e cursos de atualização de kata.

No Rio de Janeiro, o Shorin-ryu é representado pela academia Associação Studio Montreal, sede da Associação Okinawa Shorin-ryu Karate-Do do Rio de Janeiro, dirigida pelo delegado do estado perante a União, o engenheiro químico Luiz Rodolfo de Aragão Ortiz, 5o. Dan. Luiz Rodolfo tem participado nos últimos 10 anos dos principais eventos de karate no estado fluminense, tendo sido vice-presidente da Federação de Karate do Estado do Rio de Janeiro na penúltima gestão, ao lado do presidente Shingeme Kohara 6o. Dan (Shotokan). Hoje, Luiz Rodolfo participa da diretoria da Confederação Brasileira de Karate, mas suas atividades administrativas em torno do esporte a nível estadual têm sido bastante profícuas para o Shorin-ryu, o que tem tornado este estilo mais bem conhecido e respeitado, não só politicamente, mas também tecnicamente. A Associação Shorin-ryu carioca congrega um número elevado de academias, com diversos professores do 1o., 2o., 3o. e 4o. Dans e tem participado de forma marcante nos torneios e campeonatos estaduais promovidos pela Federação local. Graças ao empenho do Prof. Luiz Rodolfo, que matém ligações sempre muito estreitas com a sede da União, o karate Shorin-ryu do Rio de Janeiro tem sido o mais visitado pelo Mestre Shinzato, que frequentemente (pelo menos umas três vezes por ano) vem ao estado do Rio de Janeiro para ministrar cursos de atualização de kata e de Kobudo.
A International Union Shorin-Ryu Karate-Do Federation.

Com o crescente aumento do número de praticantes do Shorin-ryu Karate-Do nos países vizinhos ao Brasil, tais como Uruguai, Argentina e Bolívia, sempre sob a tutela do Mestre Shinzato, os representantes desses países resolveram fundar, em 1991, a International Union Shorin-ryu Karate-Do Federation. Embora na Argentina o Shorin-ryu já estivesse representado pelo Mestre Shoei Miyazato (8o. Dan), um discípulo direto de Katsuya Miyahira, esse okinawano deixou suas atividades relativas ao karate por motivos de saúde, fazendo com que Miyahira delegasse ao Mestre Shinzato a coordenação do estilo naquele país. Com a fundação da International Union, Shinzato passou a ter um controle mais organizado das atividades, agora não apenas na Argentina, mas também nos outros países da América do Sul onde se verifica a presença do Shorin-ryu. Existem representantes ainda nos Estados Unidos e na Austrália. Os seguintes países fazem parte oficialmente da federação:
Argentina – Hector Gonzales Ceballos (9o. Dan)
Austrália – HansYurgen Hoffmman
Bolívia – Gregory
Brasil – Yoshihide Shinzato (9o. Dan) atual Masahiro Shinzato
Chile –

Venezuela – Ernesto Agreda

México

Cuba

Espanha

Japão

Estados Unidos – Jan Moore
Uruguai – Juan Carlo Borba

Yoshihide Shinzato espera que este organismo internacional cresça ainda mais nos próximos anos, principalmente agora que o karate foi oficialmente reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional. Durante o ano de 1996, Katsuya Miyahira pretende realizar o primeiro campeonato inter-estilos de Okinawa e Shinzato espera que haja entendimentos para uma possível associação com a International Union. Por outro lado, Shinzato já deu os primeiros passos no sentido de registrar o estilo na WKF – World Karate-Do Federation – que é a entidade internacional representante do esporte perante o Comitê Olímpico Internacional (substituta da extinta WUKO – World Union of Karate-Do Organizations), o que deverá trazer um enorme prestígio para o estilo Shorin da linha Kobayashi a nível mundial.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] Okinawan Karate – Teachers, Styles and Secret Techniques – Mark Bishop, A & C Black Publishers Ltd, London, 1989

[2] The Essence of Okinawan Karate-Do – Shoshin Nagamine, Charles E. Tuttle Company, Inc., Rutland, Vermont e Tokyo, 1976
[3] Karate-Do Kyohan – Gichin Funakoshi, Kobundo Book Company, Tokyo, 1935.

                        ÁRVORE GENEALÓGICA DE KARATE DA SHORIN SHINSHUKAN

PECHIN TAKAHARA
             V
TODE SAKUGAWA
         V
SOKON  MATSUMURA
         V
ANKO  ITOSSU
         V
CHOSIN  CHIBANA
         V  
YOSHIHIDE   SHINZATO
         V  
MASAHIRO    SHINZATO9° DAN
  ORIGEM DO KOBUDO SHINSHUKAN DO MESTRE SHINZATO
A História do Kobudo de Okinawa é muito difícil de se contar, porque quase todos os documentos sobre esta Arte Marcial foram destruídos nos combates, bombardeios e incêndios que aconteceram durante a segunda guerra mundial.Em 1609, o Clã Satsuma atacou e varreu as defesas de Okinawa. Os nativos utilizavam apenas punhais, ineficazes contra o grande arsenal samuraico e navios de guerra. Os únicos instrumentos que os fazendeiros e pescadores tinham eram as ferramentas simples de trabalho.

OKINAWA,  berço do kobu-do

No século XII, apareceram senhores regionais chamados Aji, com suas forças emergidas de seus castelos fortificados chamados Gusuku. Logo estas forças foram divididas em três pequenos reinos, Hokuzan(norte) , Chuzan(centro)  e Nanzan(sul) mantiveram guerras contínuas e internas de 1326 até 1429. Esta foi a melhor época para o desenvolvimento das Artes Marciais, perfeitas técnicas de combate. Em 1429, Sho Hashi uniu à ilha de Okinawa e formou o Reino do Ryukyu, que fixou a capital em Shuri.Durante os séculos XIV e XVI, um período conhecido como a”Idade Dourada do Comércio”, o Reino florescia como um centro de comércio com a China(principalmente através de Fuchou, na província de Fukien), com o sudeste asiático,  a Coréia  e o Japão.

Cerca 1580, Toyotomi Hideyoshi declarou mais vez uma lei que se proibiu a posse de armas, a fim de restaurar a paz e prosperidade no Reino do Ryukyu pobre. Isto ajudou prevenir a perda desnecessária de vidas dentre as pessoas e conter as guerras civis. Esta lei deixou mais uma vez os okinawanos sem defesas contra os Samurais japoneses, estes os únicos a ter permissão portar armas.
Em  1609, quando foi invadido pelo clã Satsuma, de kagoshima, ao sul de  Kyushu, que possuía estreitas ligações com o Shogun Tokugawa Ieyasu, comandante supremo do Japão e varreu as defesas de Okinawa .  Os nativos utilizavam apenas punhais, ineficazes contra o grande arsenal samuraico e navios de guerra. Os únicos instrumentos que os fazendeiros e pescadores tinham eram as ferramentas simples de trabalho. A partir de então, embora ainda comercialmente independente e mantendo estreitas relações com a China, as ilhas Ryukyu permaneceram economicamente dominadas pelo clã Satsuma, com a qual passaram a ter obrigações tributárias(além das que já possuíam com a China), condição que diminuiu gradualmente sua riqueza. O clã Satsuma reforçou o banimento das armas imposto pelo rei Sho Shin, abolindo integralmente, em 1699,  a importação de armas de metal.  Em 1724, devido à grande expansão das classes mais abastadas(kizoku) em Shuri, a estas foi permitido o comércio , a fabricação de produtos manufaturados  e a instalações de fazendas nos campos inexplorados das ilhas. Esta situação ocasionou a migação dos kizokus, que levaram consigo sua cultura, deixando os demais habitantes vivendo em regime de semi escravidão até 1879, quando o arquipélago foi anexado pelo governo pró-restauração do Japão,  o rei Sho Tai, exilado em Tóquio. A nova dinastia Meiji, transformou a ilha de Okinawa em parte integrante do Japão, na qualidade de Prefeitura de Okinawa e buscou colonizar os velhos costumes okinawanos, considerados, até então, estrangeiros. Esta tendência continuou duante as eras Taisho e Showa, terminando apenas com a derrota do Japão no final da Segunda Guerra Mundial.

As Artes Marciais únicas de Okinawa, o Karatê-Do (To-De) e o Kobudo (Ti-Gua)  ou Ryukyu Kobujutsu , traduzidas como “ Caminhos das Antigas Artes Marciais de Okinawa”  senso ko(koryu) = antigo, Bu = (Buguen) = Arte marcial e Do = caminho, via. nasceram nesta época.  Refere-se , de maneira geral, às armas tradicionais de Okinawa, Rokushakubo(mais conhecido como Bo), Sai, Tonfa,  Kama, e Nunchaku e também as menos tradicionais como o Tekko, Tinbe-Rochim e Surujin. Também há as armas menos comuns, como o Tambo e o Eku. Por longos anos, as técnicas de Artes Marciais Orientais foram incorporadas ao Okinawa Karatê-Do e Kobudo para estabelecer o que conhecemos hoje. Os métodos chineses de luta (Kempo ou Chuan-Fa) foram uma combinação de técnicas com mãos vazias e com armas, como exemplo o San-ku-chu, antecessor do Sai. As técnicas de bastão já eram utilizadas por okinawanos para proteção contra agressores. Algumas novas armas foram feitas usando como ferramentas os utensílios dos agricultores, por exemplo, o Nunchaku, a Tonfa e o Kamá que foi a única ferramenta com lâmina de metal utilizada naquela época.

Estilos distintos e variados emergiram durante a Era do Reino Ryukyu: o Shuri-Te (Shorin-Ryu) foi centralizado em Shuri, capital do Reino Ryukyu, Naha-Te (Shorei-Ryu e Goju-Ryu) no centro comercial de Naha, e Tomari-Te (Motobu-Ryu e Matsubayashi-Ryu) no distrito portuário de Tomari localizado entre Shuri e Naha. Cada estilo teve seus mestres, os quais, estabeleceram às tradições preservadas até os nossos dias.

As técnicas de Karatê-Do e Kobudo foram, por suas naturezas guardadas em segredo. Assim, há poucos registros históricos, sendo que foram praticamente passadas oralmente de pai para filho ou de mestre para discípulo. Desde a invasão pelos Satsuma, Okinawa foi controlada por um governo fraco sob rédia do Shogunato, até a restauração Meiji, na metade do século 19 onde, seguiu-se a dissolução do reino, e em 1879 acontece à anexação de Okinawa a nação japonesa como uma prefeitura (Estado), novas instituições de Karatê-Do e Kobudo foram incorporadas ao sistema Meiji de educação pública.

Lá seguindo um movimento de modernização educacional foram feitas apresentações dessas Artes Marciais ao público geral: durante a Era Taisho (cerca 1910-1926), demonstrações foram feitas por todo o Japão continental, e nos anos da Era Showa as escolas ou estilos – Ryu foram criados, como exemplo: Shorin-Ryu, Shorei-Ryu, Goju-Ryu, Uechi-Ryu, Isshin-Ryu, Ryuei-Ryu e Matsubayashi-Ryu. Hoje existem muitas sub-escolas (ryuha) e facções (kaiha). Cada uma contando vantagem por possuir Kata distinto, mas, sempre derivado dos movimentos básicos (Kihon-Kata) comuns para todas escolas como uma sistematização de técnicas de ataque e defesa.

Treinamento rigoroso por anos de Karatê-Do e Kobudo cultiva um grande vigor espiritual e físico. Assim essas artes tradicionais contribuem para construir um caráter forte, um sentido de responsabilidade social e o desenvolvimento saudável de corpos e mentes, ofertam estas disciplinas marciais e agora esportivas, o Okinawa Karatê-Do e Kobudo hoje dão inspiração para pessoas por todo o mundo.

O Kobudo Moderno foi introduzido por Shinko Matayoshi (1888 – 1947), este de uma família rica da região de Naha. Seu treinamento do Kobu-Jutsu começou na adolescência e incluía Bo-Jutsu, Kamá-Jutsu, Eku-Jutsu, Tonfa-Jutsu e Nunchaku-Jutsu. Na idade de 22 anos, ele se aventurou na Manchúria pelo norte do Japão. Lá ele uniu-se um bando de bandidos e aprendeu várias outras artes de armas, incluindo o arco e flecha (Yabusame), fazendo de seu método único entre outros estilos de Okinawa de Kobu-Jutsu. Mais Tarde, voltou a Okinawa, trazendo de Fuchou e Xangai (China), mais artes de armas além de acupuntura, ervas medicinais e uma outra forma de Boxe Shaolin (Shoreiji-Kempo). Shinko Matayoshi, junto com Gichin Funakoshi (precursor do Karatê-Do japonês – Shotokan), foram os primeiros a demonstrar o Okinawa Kobudo no Japão continental em 1915.

Em 1921, com a visita do Imperador Hirohito em Okinawa, Matayoshi mostra o seu Kobudo em uma demonstração de Karatê-Do Goju-Ryu do Mestre Chojun Miyagi. Shimpo Matayoshi (1922- 1997), Hanshi 10º Dan, filho de Shinko, começa seu treinamento de Artes Marciais em idade de oito anos sob a tutela de Chotoku Kyan (Shorin-Ryu).

Em 1934, começou a treinar Karatê-Do e Kobudo sob a tutela do pai. Em 1935, passa a estudar com o Mestre Gokenki, chinês radicado em Okinawa, aprendendo o Katá Hakutsuru (Forma da Garça Branca) que a seu pai tinha sido ensinado. Depois da morte do pai, ele continuou o legado, assumido as responsabilidades e técnicas ensinadas.

Em 1970, ele forma a Federação de Kobudo de Okinawa (Zen Okinawa Kobudo Renmei) e até sua morte em 1997, foi o conselheiro técnico para todos estilos do Okinawa Kobudo.

Ele foi também o único karateca a aprender o Kata Hakutsuru diretamente de um mestre Chinês autêntico.

Em suas viagens demonstrando seu estilo único de Kobudô, ele foi constantemente solicitado a demonstrar o Hakutsuru, o qual, ele nunca ensinou abertamente para qualquer um. Seu conhecimento sobre a Forma da Garça Branca foi incomparável.

KANKI IZUMIGAWA

Kanki Izumigawa (泉川寛喜, Izumigawa Kanki ? , 1908 – 1969) aprendeu Goju-Ryu da Seiko Higa em Saipan. Higa tinha estudado sob Kanryo Higashionna (de Naha-Te ) e treinou com Chojun Miyagi (fundador do Goju-Ryu  Izumigawa nasceu em Okinawa para uma família de samurais e foi o fundador do Dojo Senbukan, que tinha sua sede na cidade de Kawasaki e sucursais em Tokyo, Osaka e Prefeitura de Kanagawa. Seu filho Kanbun realizado em sua escola no Japão. A Um bom amigo e colega karateca, Seiichi Akamine ajudou a espalhar Goju-Ryu e Seiko Higa tradição no Japão continental, viajam para a América do Sul para difundir o Karate-do e fundou a Shin-Kan escola Ken.

SHINKO MATAYOSHI

Sensei  Shinko Matayoshi ou kama nu Matehi, como costumeiramente era chamado nasceu na cidade de Naha, Okinawa em 1888, sendo o terceiro filho de Shinchin Matayoshi, um bem-sucedido homem de negócios.  Shinko foi o único membro da família a se envolver com artes marciais. Passou a maior parte de sua infância em Okinawa, tendo posteriormente viajado por diversas localidades da China e do Japão(principalmente a ilha de Hokkaido), recebendo nestes locais a maior parte de seu treinamento nas diversas artes ligadas ao manejo da armas. Desta variedade de estilos de diversas regiões, sensei Shinko Matayoshi incorporou diversas técnicas, formando assim a base do que ficou conhecido como Matayoshi Kobudo.

Entre os diversos instrutores com os quais o mestre Shinko teve a oportunidade de praticar a arte das armas, destacam-se os seguintes: Chokuho Agena, da vila Gushikawa, com o qual praticou kobujutsu e sensei Agena do qual aprendeu Bo-jutsu, Sai-jutsu, kama-jutsu e Ieku-jutsu.

Shinko Matayoshi tornou-se então aluno do sensei Irei de Nozato, na cidade de Chatan, com quem aprendeu as artes do Tunkua-jutsu e do nunchaku-jutsu.

Não muito tempo depois, aos 22 anos, lançou-se numa aventura pela Manchuria, onde juntou-se a uma tribo de cavaleiros nômades, tendo aprendido com estes as artes do Ba-jutsu(arco e flecha montado a cavalo), Shuriken-jutsu e Nagewa-jutsu(arremesso de corda). Continuando sua viagem, com o objetivo de expandir seu conhecimento nas artes do manejo das armas, foi a Xangai onde aprendeu o Nunti-jutsu, Timbe-jutsu e Suruchin-jutsu. Enquanto encontrava-se em Xangai, começou a interessar-se por outros aspectos das artes marciaise também por outras artes chinesas. Aprendeu acumpunra e medicina herbal chinesa com o mestre Kinko. Estudou também Boxe Chines e o estilo Shaolin em Fuchow ainda na China.

Devido as suas habilidades e conhecimentos, muitas oportunidades se apresentaram para Shinko Matayoshi que assim passou a participar de vários eventos, entre os quais dois se destacam por seu valor histórico para as artes marciais japonesas. Em 1915, durante o festival imperial de demonstração de artes marciais, realizado no santuário Meiji em Tokyo, testre Shinko demonstrou Tunqua e kama, enquanto o sensei Gichin Funakoshi demonstrou karate, sendo esta a primeira ocasiãoem que o karate e o kobudo de Okinawa foram demonstrados no Japão. Posteriormente durante a visita do príncipe Hirohito a Okinawa, sensei Matayoshi demonstrou kobudo e sensei Chojun Miyagui demonstrou o karate ao nobre convidado.

Em 1935 Shinko Matayoshi retornou definitivamente a Okinawa, estabelecendo na cidade de Naha, onde usou toda a experência adquirido para desenvolver o estilo Matayoshi de kobudo. Faleceu em 1947 aos 59 anos de idade.

Shimpo Matayoshi

Sensei Shimpo Matayoshi (1922-1997), filho do Sensei Shinko Matayoshi e sucessor da linhagem Matayoshi Kobudo, nasceu na vila de Yomitan do distrito de Kina em 27 de Dezembro de 1921. Sensei Shimpo foi introduzido nas artes marciais por seu pai aos 6 anos de idade. Entretanto Sensei Shinko nao limitou o treinamento de seu filho ao Kobudo, ele também ensinou-o o Kingai-Ryu um estilo de combate desarmado relacionado à Graça Branca e em 1937 ele praticou o Hakutsuru Kempo treinando com o mestre Gokenki (Wu Xiangui) em 1937

Embora ao longo de sua vida, tenha treinado com vários instrutores, Sensei Shimpo sempre teve seu pai como principal mestre e mentor . Permaneceu em Okinawa até 1938, quando se mudou para a cidade de Kawasaki, na província de kanagawa, onde permanceu 19 anos treinando e ensinado. Em 1957 retornou a Okinawa, onde passou a ensinar kobudo em diversos dojos de karate. Durante esse período notou que embora o karate estivesse se popularizando, o mesmo não acontecia com o kobudo. Decidiu então criar o seu próprio dojo, objetivando a popularização do conhecimento e treinamento desta arte.

Finalmente em 1960 sensei Shinpo criou o seu próprio e sonhado dojo de kobudo em Naha, capital de Okinawa, decidindo chamar de kodokan em homenaem ao seu pai. A homenagem consiste  no ideograma ko(kuz), o mesmo de Shinko. A tradução literalde kodokan é “pavilhão do caminho iluminado”.

Após a abertura do dojo, sensei Matayoshi concentrou seus esforços em estabelecer contato com os instrutores e praticantes de kobudo por todo o Japão. Seu objetivoera não somente expandir a prática desta arte, mas também manter as tradições que foram transmitidas pelos mestre de gerações passadas. Como resultado destes esforços mestre Matayoshi fundou a Associação Ryukyu de kobudo, em 1960 e que acabou se tornando a Zen Okinawa kobudo Renmei(Associação de kobudo de toda Okinawa), em 1972 e que se encontra em plena atividade até os dias atuais.

Mestre Shinpo Matayoshi faleceu em Okinawa, no dia 07 de setembro de 1997 aos 76 anos de idade . Seu sucessor(por escolha da família Matayoshi) é sensei Gakya Yoshiaki, 8º Dan de kobudo Matayoshi, também responsável pelo kodokan Matayoshi em Okinawa.

 Disseminação do Kobudo

Apesar de ter tido vários instrutores durante a vida, Sensei Shimpo continuou tendo seu pai como principal mestre e mentor. Sensei Shimpo permaneceu em Okinawa até 1938, quando então mudou-se para a cidade de Kawasaki na província de Kanagawa, onde passou 19 anos treinando e ensinando. Em 1957 ele retorna a Okinawa onde passa a ensinar Kobudo em diversos dojos de Karate. Durante este período, Sensei Matayoshi notou que o Karate estava se tornando popular e o Kobudo não, entao para melhor disseminar o Kobudo ele decidiu criar seu próprio Dojo. Em 1960 o Sensei Shimpo Matayoshi criou o seu Dojo de Kobudo em Naha e decidiu chamá-lo de Kodokan, em homenagem ao seu pai, professor e mentor Sensei Shinko Matayoshi. O significado da homenagem em Kodokan está no ideograma Ko(luz) o mesmo de Shinko, que traduzindo Kodokan literalmente significa “Pavilhão do Caminho Iluminado”. Após a abertura do Dojo, Sensei Matayoshi se esforçou para entrar em contato com os instrutores e praticantes de Kobudo, mas também manter as tradições que foram transmitidas pelos mestres de gerações passadas.

 Katsuyoshi Kaney

O Mestre  Katsuyoshi Kanei, naceu en 1942, começou  a praticar Karate  Goju Ryu em meados do ano de 1950  e no  final do mesmo ano inicia a pratica em Okinawa o Kobudo do Sensei Matayoshi e em  1955 treinou com seguidores de Chogun Miyagi, os Mestre Seikichi Toguchi e Sensei Seiko Iga, este último aluno de Kanryo Higaonna, posteriormente treinaria com o Sensei Meitoku Yagi, tambem aluno de Sensei Chogun Miyagi. Na arte do Kobudo de   Okinawa estudou  com os mestres Shushin Furugen  e  Shimpo Matayoshi entre os mais importantes nas  Artes Marciales.

No final  de 1966, começa  a nascer  sua maior obra na Arte Marcial,  fundando  em  maio de 1967,  a  Okinawa Goju Ryu Karate Do Jinbukan, considerada uma das mais importantes  de Okinawa e do Mundo.

Sensei Kanei começou a espalhar os ensinamentos de sua escola para além das fronteiras de Okinawa, chegando à escola com filiais no Japão, Alemanha, EUA, Espanha, Venezuela, Argentina, Peru e Chile.

O Grão-Mestre Katsuyoshi Kanei, ao encontrar-se  realizando seminários e cursos de formação da arte de Goju Ryu, na cidade de Lima, no Peru, em 1993, morreu prematuramente, momento em que ele estava na residência de seu amigo e aluno Sr. Anken Moromizato, lamentou-se por fãs das artes marciais, especialmente os de Okinawa Goju-Ryu e do mundo.

 Shikan Akamine

             Seiichii Akamine (nome artístico em japonês, Yoshitaka e em chinês Shikan) nasceu no bairro de Izumizaki, na cidade de Naha, ilha de Okinawa, Japão em 14 de Maio de 1920.

Era o irmão caçula entre seis e o único que praticou artes marciais dentro de uma família de descendentes de samurais. Iniciou-se neste caminho com idade entre cinco e seis anos, tendo por mestre seu avô, passando logo em seguida a treinar com o professor Chomo Hanashiro(1869-1945), da linha Shurite. Seguiu praticando artes marciais durante toda infância e juventude tornando-se um jovem muito saudável e forte. Foi treinado também pelos mestre Kentsu Yabu(1866-1937) e Chotoku Kyan(1870-1945) ambos também da linha Shurite. Treinou ainda com Chojun Miyagi(1888-1953) criador do Goju-Ryu e com Seitoko Higa(1898-1966) segundo aluno do mestre Miyagi.

Sensei Akamine treinou também remo, natação, atletismo, tornando-se um atleta completo.

Iniciou-se na prática do kobudo com o professor Shinko Matayoshi(1888-1947) que lecionava no dojo de sensei Miyagi treinado Bo, Nunchaku, Tonfa, kama, Sai, Nunti e outros.

Sensei Akamine encontrou em Seitoku Higa seu verdadeiro mestre e no Goju-Ryu o estilo com o qual se identificou melhor. Sua busca porém não parou. Seguiu com o mesmo entusiasmo estudando Uechi-Ryu com o mestre Kanbun Uechi (1877-1948) de quem incorporou para sua própria academia Ken Shin Kan os katas Kanshu, Kansha ou Daini Seisan, além daqueles incorporados de sensei Higa como Ryufa, Sesan e Kusanku.

Aos 16 anos, recebeu a faixa preta de karate, aos 18 o segundo Dan e aos 22 o 4º Dan de sensei Higa.

Durante a Segunda Guerra Mundial serviu nas Filipinas como telegrafista pela marinha japonesa.  Após o término da guerra, abriu na cidade de Ito província de Shizuoka, ilha de Honshu, sua associação Ken Shin Kan passando então a participar das reuniões da Federação Japonesa de Karate participando em 1955 de uma demonstração na televisão, juntamente com outros professores entre os quais se encontrava o jovem Juichi Sagara com 21 anos que viria para o Brasil em 1957 e passaria a morar pelo período de seis meses com sensei Akamine.

Neste mesmo ano recebeu o 8º Dan da Nippon Butoku Kai, sendo nomeado responsável pelo setor de karate. Nesta ocasião o presidente da entidade Takema Machino escreveu no diploma outorgado a Akamine o seguinte: “pelas duas de mãos de Akamine, não haverá inimigo.”

Em 12 de Agosto de 1958, a convite da Okinawa Kyokai desembarcou no Brasil vindo de navio para  fazer demonstrações no sul do país. Morou durante um mês em Itapecerica da Serra – SP, oito meses no bairro de Vila Sonia em São Paulo – SP, mudando-se posteriormente para Rua Oriente, N° 249, 7° andar, apto 37, no bairro do Bras, onde passou a ministrar treinos. Entre seus primeiros alunos estão Sergio Yanagisawa, Jorge Nomura, Sadao Saito, Benedito Santos e Jorge Fukugawa.

Em 1959 foi fundada a Associação Brasileira de Karate, a famosa ABK, na Rua Tabatinguera, centro de São Paulo onde alguns dos maiores nomes do Karate do Brasil treinaramentre eles Ryuzo Watanabe e Pedro Hidekazu Oshiro.

Na ABK, sensei Akamine ensinou karate e kobudo e praticou seu kata preferido, Seiuntin e sua arma preferida o Bo. Em 1964 em razão de problemas políticos, foi afastado da ABK fato que o marcou profundamente tendo voltado a ministrar treinos em sua residência no Brás até 1971.  Atendia também paciente em consultas como massagista experiente que era e como numerólogo sua ocupação permanente fato que o fez recusar gentilmente o nono e décimo graus por acreditar que não eram bons números. Era mestre em caligrafia e pintor amador.

Arregimentou discípulos pelas Américas, no Chile, Uruguai e em Honduras.

Sensei Akamine impressionava pelo capricho que colocava em todos os seus atos e obras.  Foi por muitos considerado o mais técnico mestre de karate que passou pelo Brasil. Após a sua mágoa com a ABK,focou sua vida na formação dos filhos, que teve com sua esposa Shizuko Akamine. Ele lembrado por ter sempre reforçado a máxima de que na vida é necessário ter mentalidade aberta e estar pronto para aprender sempre mais.

Faleceu em 18 de Julho de 1995, em São Paulo.

Yoshihide Shinzato

 

Yoshihide Shinzato (Haebaru, Shuri, 15 de março de 1927Santos, 13 de janeiro de 2008) foi um mestre de caratê nipo-brasileiro.

O Mestre yoshihide shinzato nasceu no Estado de Okinawa, Japão, dia 15 de Março de 1927. Após concluir seus estudos no Colégio Estadual de Okinawa, onde se iniciou na arte do Karatê-do com o Mestre Anbun Tokuda e Judô com Prof. Soko Itokazu, ingressou no Colégio Militar, que era sonho de todos os jovens da época, pois era a forma de defender a Pátria. Depois de formado participou na 2ª Guerra Mundial como Rádio-telegrafista.

Ao término da Guerra, trabalhou como funcionário público em Okinawa e praticou Karatê-Do com o Mestre Choshin Chibana, onde conheceu o Mestre Katsuya Miyahira, auxiliar do Mestre Chibana.

Ministrou as primeiras aulas de Karatê-do em sua própria casa para os jovens da colônia japonesa, ao mesmo tempo em que exercia a sua ocupação principal trabalhando na lavoura e no transporte com caminhões e comércio em feiras livres.

Passando 8 anos de sua chegada ao Brasil, fundou oficialmente a sua primeira academia de Karatê-Do, no dia 3 de junho de 1962, na cidade de Santos, realizando um de seus sonhos.

Ministrou Karatê-Do para seus alunos com total dedicação e também mantendo o contato com o Mestre Chibana, mas após o falecimento do Mestre, continuou ligado às raízes de Okinawa através do Mestre Katsuya Miyahira. Treinou Goju-Ryu e Kobu-Do com o Mestre Shikan Akamine, Kobu-Do com o Mestre Katsuyoshi Kanei e Masahiro Nakamoto.

Conquistou a categoria máxima de Karatê-Do Hanshi 10º Dan no dia 25/03/2001 pelo Mestre Katsuya Miyahira e no Kobu-Do, o título de Hanshi  com o Mestre Katsuyoshi Kanei, no dia 01/11/1993.

HIROKAZU SHINZATO

         MESTRES:  HIROKAZU SHINZATO – MAESHIRO(SHORIN JAPÃO) – MASAHIRO SHINZATO

Mestre Hirokazu Shinzato  é faixa preta  6º Dan de karate shorin-Ryu  e 7º Dan de kobudo Shinshukan e ocupa o respeitado cargo  de diretor técnico na Associação de Kobudo Shinshukan. É hoje o principal nome do kobudo ficando subordinado somente ao mestre Masahiro Shinzato dentro da hierarquia da Shinshukan.

Hirokazu  shinzato iniciou seu treinamento no karate com o Mestre Yoshihide Shinzato em 1967. Após cinco anos de prática, sensei Hirokazu viu-se obrigado a interromper seu  treinamento devido ao pouco tempo disponível pois o curso de engenharia na ciodade de São Paulo , consumia todo o seu tempo. Após sua formação devido às constantes viagens que a profissão exigia, não foi possível retomar a prática do karate. No ano de 1987, com sua posição estabilizada, sensei Hirokazu finalmente retomou seu treinamento de karate e kobudo com o mestre Yoshihide Shinzato e o mantem até hoje. Treinou também kobudo com o conceituado mestre Katsuyoshi Kanei.

Em 1995,  Hirokazu Shinzato embarcou para Okinawa, para estagiar na academia do mestre Masahiro Nakamoto. Participou também dos treinamentos de karate na academia do mestre Katsuya Miyahira.

Após seu retorno de Okinawa em 1996, Hirokazu participou de um curso de karate com o mestre Seikichi Higa e mestre Shinzato.

Já em 1996, freqüentou em conjunto com o mestre Raymond keller dos Estados Unidos da América o curso de kobudo ministrado pelo mestre Yoshihide Shinzato  .

Sensei Hirokazu atualmente é especialista em kobudo e executa palestras sobre o tema. É ainda participante assíduo das demonstrações  executadas pela associação na qual é diretor técnico. Recebeu diversas homenagens referentes à constante divulgação do kobudo e do karate.

ÁRVORE GENEALÓGICA DE KOBUDO SHINSHUKAN

 

MestreKanki Izumigawa MestreKenshin Taíra MestreShimpo Matayoshi
MestreShikan Akamine MestreMasahiro Nakamoto MestreKatsuyoshi Kanei
         Mestre Yoshihide  Shinzato
 Mestre Hector Ceballos(Argentina) Mestre Masahiro  Shinzato  Mestre Hirokazu ShinzatoMatriz (Brasil)

INSTRUMENTOS DO KOBUDO

Bô (bastão)

O Bô ou kun é uma barra comprida, que mede cerca de 1,82m(Rokushaku Bo), podendo medir também 2,80m(Kyushaku Bo) e um metro(Shanshaku Bo). Geralmente deve ser algum centímetro maior do que o praticante, em torno de um palmo, e diâmetro de 3cm no centro e 2,50cm nas extremidades,  torneado com madeira resistente e pesando em torno de 900 gramas para adultos e 700 gramas até juvenil. O Bô era utilizado a partir de uma ferramenta agrícola chamada Tenbin, colocada por trás dos ombros com cestas ou sacos pendurados de cada lado para o transporte de mercadorias. O Bo era  também usado  possivelmente como cabo de ancinho ou de pá. Juntamente com variações mais curtas como o Jo e o Hanbo, pode também ser desenvolvido a partir de bengalas utilizadas por viajantes, especialmente monges.  Com a proibição do uso das armas, desenvolveu-se como arma de defesa, sendo considerado o “rei” de todas elas e é tradicionalmente feito de carvalho branco ou vermelho.

Os katas do bô Shinshukan são:

– Ufugussuku No Kun

-Choun no kun-Sho

-Oshiro no Kun

-Chikin Bô

-Sushi no Kun

-Choun no kun-Daí

-Chikin no kun

-Shodan no Kun

-Nidan no Kun

-Sakugawa-Dai-Ni

Nunchaku

O Nunchaku também conhecido como So-setsu-Kon, é arma proveniente de uma ferramenta agrícola que serve para o preparo de cereais, separando o grão da palha meio de batimentos. O Nunchako é talvez, a arma que mais se popularizou-se no Ocidente devido aos filmes de artes marciais. Compõe-se de duas hastes de madeira em torno de 30cm  do tamanho do antebraço, pesando em torno 300gramas tanto para adulto como até juvenil e unidas por uma corrente ou corda (usa-se muito corda de para-quedas pela sua maleabilidade e leveza.

Os katas de nunchaku Shinshukan são:

-Maezato no Nunchaku

-Nunchaku Kihon Kata

-Nunchaku San ban

Tunqua(ou Tonfa)

Arma utilizada originalmente para separar a casca do arroz, a partir de um cabo de uma pedra mó  que encaixava-o  numa pedra redonda móvel com ranhuras que ficava sobre a outra fixa e ficava girando, o suporte tinha duas partes, uma para triturar  o arroz e tinha um monte de buracos, aonde separava o arroz moído do sulco, e que foi transformada em arma agrícula. É tradicionalmente feita de carvalho vermelho e pode ser segurado tanto pela empunhadura curta perpendicular quanto a parte mais longa. Pesa em torno de 400g para adulto e 350g para juvenil e abaixo.

Os katas de tunqua Shinshukan são:

-Tunqua-Ichi-Ban

-Tunqua-Ni-Ban

Sai

O Sai é uma arma forjada em ferro (cromado) utilizado para defesa contra espada. Suas pontas podem ser afiadas para servir como um estilete; sua medida deve ser igual do maior o antebraço do praticante e pesa 650g para adultos e 600g para juvenil e abaixo. O treinamento como o Sai fortalece os pulsos e desenvolve a coordenação em conjunto e independente de ambas as lateralidades, forçando seus portadores a execuções conjuntas e diferenciadas em movimentos de ataque e defesa. Quando o Sai tem um só gancho, é conhecido como Jitte ou Jutte. Esta é uma arma praticada na Shorin que foi utilizada originalmente na agricultura como instrumento para fazer sulcos na terra para plantação de sementes e era de madeira, devido a escassez de ferro na época . O Sai era uma arma utilizada pelos Samurais.

Além desse tipo de utilização, também era utilizado por mulheres que prendiam seus cabelos por esse instrumento.

Os katas de Sai Shinshukan são:

-Akamine no Sai

-Chihara no Sai

-Sai Ichi Ban

-Sai Ni Ban

-Sai San Ban

Kama

A Kama, por vezes escrita como “Gama’’ é outra arma nítida origem agrícola. Trata-se de uma foice de cabo comprido utilizada para a ceifa de cereais. Seu feitio diferente da foice ocidental pois curvatura começa no cabo. A Kama é uma arma temível; podem se utilizada aos pares, ou uma só contra Bô, Espada ou qualquer outra arma. Pesa em torno de 155g.

Os katas de Kama Shinshukan são:

-Kama-Kihon-Kata

-Kama-Daí-Ichi

-Kama-Daí-Ni

 

 

Eku – remo

Eku (remo) – realmente era utilizado como remo em okinawa e depois foi utilizado como arma de defesa.

Kata de remo Shinshukan – Eku

 

 

GRANDES MESTRES DO BRASIL

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